O senador Paulo Paim (PT/RS), por sua vez, defende a necessidade da construção de um novo aeroporto internacional no Rio Grande do Sul. “Independente das indispensáveis obras de ampliação da pista e duplicação do Aeroporto Internacional Salgado Filho, a situação aeroportuária da região Metropolitana tende a se tornar caótica”, projetou. Paim afirmou que, de acordo com previsões de incremento no número de passageiros, “em pouquíssimos anos” o Salgado Filho será completamente incapaz de atender toda a demanda, por suas limitações de área física.
“O Salgado Filho não tem como crescer e é, hoje, o aeroporto brasileiro com maior déficit percentual na relação entre capacidade instalada e número de passageiros”, enfatizou. Segundo ele, várias regiões do Estado têm condiçóes de receber oe novo aeroporto. “O importante é garantir um novo aeroporto para o Rio Grande do Sul. Questões técnicas é que vão escolher a sua localização”, destacou.
Paim recebeu um estudo elaborado por um grupo de voluntários, integrado por aeronautas e especialistas em aviação civil, incluindo o diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUCRS, Elones Ribeiro. A principal conclusão é da necessidade de um novo aeroporto na região Metropolitana, operando paralelamente ao Salgado Filho. A ideia, conforme o senador, é de construir o principal aeroporto do Estado, com o nome provisório de 20 de Setembro. “O novo aeroporto é uma evidente necessidade estratégica e será uma alavanca para o desenvolvimento, capaz de atender 85% do PIB estadual”, projetou.
A proposta é de que o novo terminal resolva a questão aeroportuária gaúcha por mais de quatro décadas, sem prejuízo de melhorias e ampliações no Salgado Filho e nos demais aeroportos regionais. A localização do 20 de Setembro foi alvo de aprofundados estudos, A opção foi por uma área, entre Nova Santa Rita e Portão, com mais de 16 quilômetros quadrados de extensão.
Aeroportos não devem ficar prontos até a Copa, alerta Ipea
Nesta quinta-feira, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, divulgou nota alertando que as obras de ampliação de nove dos 12 aeroportos em funcionamento nas 12 cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014 não deverão ser concluídas até o início do evento. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a situação é preocupante. A demora nas obras também já motivou críticas do presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter.
De acordo com os responsáveis pela nota técnica, considerando-se os prazos médios para elaboração de projetos, obtenção de licenças obrigatórias, realização de licitações públicas e início do serviço, “muito provavelmente não será possível concluir a maioria das obras de expansão dos terminais aeroportuários até a Copa de 2014”.
Segundo o Ipea, além dos nove terminais já em operação, o Aeroporto Internacional São Gonçalo do Amarante (RN), próximo à capital Natal, que ainda está em construção, também não deve ficar pronto antes de junho de 2014.
De acordo com os técnicos do Ipea, uma obra de infraestrutura em transportes leva em média 92 meses para ficar pronta, ou seja, mais de sete anos. Assim, com base em informações sobre a atual situação de cada aeroporto, fornecidas pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), os técnicos do Ipea estimam que as obras dos aeroportos de Manaus (AM), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Guarulhos (SP), Salvador (BA), Campinas (SP) e Cuiabá (MT), todos ainda em fase de elaboração de projeto, não estarão prontas antes de 2017.
Nos aeroportos de Confins (MG) e de Porto Alegre (RS), embora o projeto de reforma já esteja pronto, as obras devem demorar cerca de seis anos e meio para serem concluídas.
“Para nós, há tempo hábil para que os investimentos necessários em pistas, pátios e nos terminais provisórios sejam feitos até 2014. Nossa preocupação maior é com os investimentos mais complexos, ou seja, nos terminais [permanentes] de passageiros”, afirma o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Carlos Campos, um dos responsáveis pelo estudo.