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Prefeitura levará mais dois meses para encaminhar projeto sobre Uber

Município continuará tratando serviços pelos aplicativos como “clandestinos”

Prefeitura levará mais dois meses para encaminhar projeto sobre Uber
Prefeitura levará mais dois meses para encaminhar projeto sobre Uber Foto : Luciano Lanes / PMPA / CP
Mais dois meses serão necessários para a prefeitura de Porto Alegre encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei de regulamentação de serviços de transporte de passageiros demandados por aplicativos. O prefeito José Fortunati explica que o prazo teve que ser ampliado para que a equipe técnica incorpore no texto as recomendações entregues nesta quarta pelo Ministério Público (MP), em reunião no Paço Municipal. “O grupo de trabalho vai fazer a devida análise das contribuições do MP para que não tenhamos qualquer contestação jurídica e que o nosso projeto de lei possa ser modelo para o país”, enfatizou Fortunati.

A previsão era que o projeto fosse apresentado ainda neste mês. Até que a regulamentação não ocorra o município continuará tratando os serviços prestados pelo Uber e aplicativos semelhantes como “clandestinos”. O procurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, diz que um estudo jurídico feito pela Promotoria da Ordem Urbanística concluiu, primeiro, que o Uber pode funcionar por ser uma atividade econômica prevista na Lei Nacional de Mobilidade Urbana e, segundo, que é um serviço que necessita de regulamentação para a proteção do consumidor.

Para o promotor Cláudio Ari Mello, a questão jurídica é uma das mais difíceis enfrentadas pelo MP nos últimos anos. “Achamos que esta questão ainda vai ser decidida nos tribunais”. Ele explica que, para qualquer empresa funcionar, é necessária uma autorização prévia concedida pela prefeitura. “O ideal é que houvesse uma lei que previsse esta autorização prévia, mas o prefeito pode fazer um decreto e estruturar esta autorização”, diz.

Segundo o promotor, por meio desta autorização se exigiriam informações sobre quem são os motoristas, qual a carteira de habilitação necessária, quais carros são utilizados, funcionamento do sistema de cobrança de tarifa, apresentação da ficha criminal. “Por mais que o Uber tenha uma autorregulação eficiente, a regra tem que ser a mesma para todo mundo. Se as outras empresas têm que ter autorização para funcionar, o Uber e serviços similares também tem que ter. Se não, a cidade vira um caos”.