Haddad concordou que o transporte público em São Paulo necessita de melhorias, mas disse que o município fez um sacrifício de R$ 600 milhões, realocados de outras áreas para que o reajuste da tarifa fosse abaixo da inflação acumulada. "O que eu quero mostrar para o movimento é que R$ 600 milhões estão sendo investidos para que o reajuste seja abaixo da inflação."
Durante a entrevista, o prefeito disse que São Paulo é uma cidade que convive bem com democracia pacifica, mas não com a violência. "Quando houve violência de manifestantes, a população repudiou. Quando há abuso policial, a população repudia." Ele reclamou ainda da desinformação do movimento."Estão dizendo que motoristas e cobradores não tiveram seus salários reajustados. Há muita desinformação por parte do movimento." Em outro ponto, Haddad afirmou que não vai iludir as pessoas dizendo que o transporte coletivo será gratuito."Os prefeitos não tem de onde tirar recursos", argumentou.
Prefeito critica conduta da Polícia Militar
Após os confrontos da noite de ontem, o prefeito Fernando Haddad (PT) criticou a conduta da Polícia Militar na repressão ao protesto do Movimento Passe Livre (MPL). "Na terça-feira, a imagem que ficou foi a da violência dos manifestantes. Infelizmente hoje (ontem) não resta dúvida de que a imagem que ficou foi a da violência policial", disse.
Haddad afirmou que "há fatos a serem apurados" pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). "Entendo que o secretário (Fernando) Grella (Vieira), ao abrir um inquérito para a apuração rigorosa dos fatos, agiu corretamente", disse. "É evidente que a imagem que ficou é esta: de um possível excesso da força policial." Haddad disse que tem mantido contato com Grella Vieira. "Vamos acompanhar a evolução dos eventos, sempre entendendo que o método escolhido (pelos manifestantes) foi o pior possível. Estamos vivendo uma escalada (da violência) que não vai levar a nada. O diálogo levaria a algum lugar", afirmou.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que ontem chegou de Paris onde estava com Haddad para a apresentação da candidatura de São Paulo para sede da Expo 2020, não se manifestou sobre a tática adotada pelos policiais. A PM também não se posicionou sobre a conduta dos agentes que trabalharam na operação. Pedestres e motoristas que não participavam do protestos foram atingidos por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. A PM informou apenas que as denúncias de abusos serão investigadas.
No fim da noite, enquanto a manifestação ainda acontecia, Alckmin usou o Twitter para comentá-la. "Depredação, violência e obstrução de vias públicas não são aceitáveis. O governo de São Paulo não vai tolerar vandalismo", escreveu.
No dia 2 deste mês, as tarifas de ônibus, trem e metrô foram reajustadas de R$ 3 para R$ 3,20. O prefeito disse que o único sinal que ainda pode dar para o MPL é cumprir os compromissos de campanha, como implementar o bilhete único mensal, criar corredores de ônibus e manter o reajuste das passagens abaixo da inflação. "Houve uma campanha eleitoral e ninguém se manifestou (sobre a tarifa zero). Sempre expressei minha opinião sobre o assunto, me comprometi com reajuste abaixo da inflação."Racha.
A Juventude do PT emitiu nota para pedir a reversão do aumento e que o governo do Estado faça o mesmo em relação às passagens de trem e metrô. O grupo lembrou que em 2011 lutou contra o reajuste promovido por Gilberto Kassab (PSD), de R$ 2,70 para R$ 3. "Não nos furtaremos deste instrumento (manifestação) para demonstrar nossa indignação e cobrar soluções para as mazelas da população", disse a Juventude do PT. Haddad afirmou que são posições individuais de petistas. "Os indivíduos são livres para expressar sua opinião, independentemente de pertencer a esse ou àquele partido. Uma coisa é a opinião individual, outra é a posição partidária." (Colaboraram Rodrigo Burgarelli e Zuleide de Barros, Especial Para o Estado).
Paulistanos são a favor de protestos
Os protestos contrários ao reajuste da tarifa do transporte público em São Paulo têm apoio de 55% da população paulistana, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nessa quinta-feira O levantamento foi feito antes da manifestação dessa quinta, que deixou ao menos 105 feridos.
Foram ouvidas 815 pessoas, com 16 anos ou mais, e 41% delas disseram ser contrárias aos protestos. A margem de erro é de quatro pontos porcentuais, para mais ou para menos. O instituto também perguntou se osmanifestantes "foram mais violentos do que deveriam, violentos na medida certa ou menos violentos do que deveriam". A maioria, 78%, disse que foram mais violentos e 15% responderam ter sido na "medida certa".
Já os policiais foram considerados "mais violentos do que deveriam" por 40% dos entrevistados e "na medida certa", por 47%. A atuação policial foi considerada "menos violenta do que deveria" por 8%. Ainda segundo a pesquisa, 67% dos paulistanos afirmaram que o reajuste da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20 foi alto, contra 29% que o consideraram adequado.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo