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Prefeitura não entra em "jogo de tudo ou nada", diz Haddad

Prefeito de SP criticou conduta da PM, mas negou revogação de reajuste de tarifas do transporte

Prefeito de SP criticou excessos da PM
Prefeito de SP criticou excessos da PM Foto : Mídia Ninja / Especial / CP
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a negar a possibilidade, proposta pelo Ministério Público, de revogar temporariamente o aumento da tarifa de transporte coletivo para diminuir a onda de protestos. Haddad disse estar disposto a dialogar com os manifestantes, mas que a Prefeitura não entra em um "jogo de tudo ou nada". "Quando você entra em uma conversa tem de entrar com o espírito aberto e não com o resultado definido. Queremos conversar, mostrar o orçamento municipal. Nós temos de tomar uma decisão pensando em 11 milhões, não em 4 mil que estão na rua", disse o prefeito em entrevista para Rede Globo nesta sexta-feira.

Haddad concordou que o transporte público em São Paulo necessita de melhorias, mas disse que o município fez um sacrifício de R$ 600 milhões, realocados de outras áreas para que o reajuste da tarifa fosse abaixo da inflação acumulada. "O que eu quero mostrar para o movimento é que R$ 600 milhões estão sendo investidos para que o reajuste seja abaixo da inflação."

Durante a entrevista, o prefeito disse que São Paulo é uma cidade que convive bem com democracia pacifica, mas não com a violência. "Quando houve violência de manifestantes, a população repudiou. Quando há abuso policial, a população repudia." Ele reclamou ainda da desinformação do movimento."Estão dizendo que motoristas e cobradores não tiveram seus salários reajustados. Há muita desinformação por parte do movimento." Em outro ponto, Haddad afirmou que não vai iludir as pessoas dizendo que o transporte coletivo será gratuito."Os prefeitos não tem de onde tirar recursos", argumentou.

Prefeito critica conduta da Polícia Militar

Após os confrontos da noite de ontem, o prefeito Fernando Haddad (PT) criticou a conduta da Polícia Militar na repressão ao protesto do Movimento Passe Livre (MPL). "Na terça-feira, a imagem que ficou foi a da violência dos manifestantes. Infelizmente hoje (ontem) não resta dúvida de que a imagem que ficou foi a da violência policial", disse.

Haddad afirmou que "há fatos a serem apurados" pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). "Entendo que o secretário (Fernando) Grella (Vieira), ao abrir um inquérito para a apuração rigorosa dos fatos, agiu corretamente", disse. "É evidente que a imagem que ficou é esta: de um possível excesso da força policial." Haddad disse que tem mantido contato com Grella Vieira. "Vamos acompanhar a evolução dos eventos, sempre entendendo que o método escolhido (pelos manifestantes) foi o pior possível. Estamos vivendo uma escalada (da violência) que não vai levar a nada. O diálogo levaria a algum lugar", afirmou.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que ontem chegou de Paris onde estava com Haddad para a apresentação da candidatura de São Paulo para sede da Expo 2020, não se manifestou sobre a tática adotada pelos policiais. A PM também não se posicionou sobre a conduta dos agentes que trabalharam na operação. Pedestres e motoristas que não participavam do protestos foram atingidos por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. A PM informou apenas que as denúncias de abusos serão investigadas.

No fim da noite, enquanto a manifestação ainda acontecia, Alckmin usou o Twitter para comentá-la. "Depredação, violência e obstrução de vias públicas não são aceitáveis. O governo de São Paulo não vai tolerar vandalismo", escreveu. 

No dia 2 deste mês, as tarifas de ônibus, trem e metrô foram reajustadas de R$ 3 para R$ 3,20. O prefeito disse que o único sinal que ainda pode dar para o MPL é cumprir os compromissos de campanha, como implementar o bilhete único mensal, criar corredores de ônibus e manter o reajuste das passagens abaixo da inflação. "Houve uma campanha eleitoral e ninguém se manifestou (sobre a tarifa zero). Sempre expressei minha opinião sobre o assunto, me comprometi com reajuste abaixo da inflação."Racha.

A Juventude do PT emitiu nota para pedir a reversão do aumento e que o governo do Estado faça o mesmo em relação às passagens de trem e metrô. O grupo lembrou que em 2011 lutou contra o reajuste promovido por Gilberto Kassab (PSD), de R$ 2,70 para R$ 3. "Não nos furtaremos deste instrumento (manifestação) para demonstrar nossa indignação e cobrar soluções para as mazelas da população", disse a Juventude do PT. Haddad afirmou que são posições individuais de petistas. "Os indivíduos são livres para expressar sua opinião, independentemente de pertencer a esse ou àquele partido. Uma coisa é a opinião individual, outra é a posição partidária." (Colaboraram Rodrigo Burgarelli e Zuleide de Barros, Especial Para o Estado).

Paulistanos são a favor de protestos


Os protestos contrários ao reajuste da tarifa do transporte público em São Paulo têm apoio de 55% da população paulistana, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nessa quinta-feira O levantamento foi feito antes da manifestação dessa quinta, que deixou ao menos 105 feridos.

Foram ouvidas 815 pessoas, com 16 anos ou mais, e 41% delas disseram ser contrárias aos protestos. A margem de erro é de quatro pontos porcentuais, para mais ou para menos. O instituto também perguntou se osmanifestantes "foram mais violentos do que deveriam, violentos na medida certa ou menos violentos do que deveriam". A maioria, 78%, disse que foram mais violentos e 15% responderam ter sido na "medida certa".

Já os policiais foram considerados "mais violentos do que deveriam" por 40% dos entrevistados e "na medida certa", por 47%. A atuação policial foi considerada "menos violenta do que deveria" por 8%. Ainda segundo a pesquisa, 67% dos paulistanos afirmaram que o reajuste da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20 foi alto, contra 29% que o consideraram adequado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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