Até o final desta semana, a Prefeitura de São Leopoldo, no Vale dos Sinos, pretende contratar uma empresa, de forma emergencial, para realizar a coleta de lixo na cidade. Desde a última quinta-feira, o serviço não vem sendo realizado pela contratada, a SL Ambiental. Os funcionários da empresa cruzaram os braços alegando falta de pagamento e assim, equipes da Secretária de Limpeza Urbana, junto com as cooperativas de reciclagem da cidade, estão fazendo a coleta de resíduos, de maneira parcial. "O volume de lixo, e a quantidade de regiões é maior do que podemos realizar, assim alguns bairros estão em atraso com o serviço", explicou o secretário Charles Pierre.
Pierre destacou que setor jurídico do município está estudando de que forma pode ser feita a contratação de uma nova responsável. "Temos todos os argumentos para tal decisão. Enquanto isso, estamos com dez equipes coletando o lixo envolvendo Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), Obras e Serviços Públicos", salientou.
Os bairros que acabaram não tendo o lixo recolhido no final de semana e registraram o maior volume de resíduos acumulados no domingo foram Cristo Rei, Padre Reus, Vicentina, Santos Dumont, Scharlau e Feitoria. Ainda na sexta-feira à noite, a juíza da 2ª Vara Civil de São Leopoldo, Cristina Lohmann, ratificou que está em vigência a decisão sobre a obrigatoriedade do recolhimento de lixo pela SL Ambiental, conforme ato proferido em outubro de 2014.
Segundo a procuradora-geral do Município, Rosângela Herzer dos Santos, a magistrada cita, ainda, que a empresa já foi intimada e está ciente da aplicação de pena de multa de R$ 50 mil por dia pela não realização de seus serviços. Além disso, foi aberta sindicância investigatória para apurar o real valor devido a SL Ambiental e o cumprimento das cláusulas contratuais, originados na concessão de concorrência pública 01/2004.
O objetivo da sindicância é apurar o valor devido à empresa, que alega a quantia de R$ 38 milhões, enquanto que a Secretaria da Fazenda confirma que o débito é de R$ 8 milhões. Conforme dados da Prefeitura, o lixo gerado em São Leopoldo soma 4 mil toneladas por mês. Conforme o diretor da SL Ambiental, Marcelo Azevedo, a empresa segue orientando seus funcionários para voltarem a trabalhar.
"O triste é não ter perspectiva de melhora deste quadro. Seria melhor a administração romper nosso contrato, assim, ao menos, a dívida não aumentaria mais", afirmou.
Em Novo Hamburgo a situação é semelhante. No dia 26 de março, quando foi assinado contrato emergencial, a empresa Sustentare Saneamento S.A passou a ser a responsável pelo serviço na cidade. A contratada, porém, ainda não conseguiu adequar suas equipes a atender todos os bairros da cidade.
"Não podíamos mais prorrogar o contrato com a antiga responsável pelo serviço e por isso tivemos que trocar de empresa. Toda a troca de um serviço ocasiona mudanças. Infelizmente, a Sustentare não conhece o município tão bem quanto a antiga empresa, mas estamos aperfeiçoando a gestão dos resíduos para que ele seja realizado de maneira integral", afirmou o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Bonatto.
Ainda segundo Bonatto, a demanda de recolhimento de lixo é histórica na cidade e, no momento, todos os bairros têm focos pontuais de acúmulo de resíduos. "Temos um total de 1,8 mil economias fixas na cidade que tem o lixo recolhido, fora os estabelecimentos comerciais e as ruas que passam pelo serviço de varrição. Temos ciência de que os profissionais da nova empresa estão se esforçando para realizar estes serviços de maneira plena", afirmou.
Prefeitura vai contratar nova empresa para realizar coleta de lixo em São Leopoldo
Contrato de forma emergencial deve ser assinado até o final da semana