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Presidente da CNTA espera que caminhoneiros se "sensibilizem" e parem bloqueios

Categoria não aderiu ao documento assinado na madrugada

Categoria não aderiu ao documento assinado na madrugada
Categoria não aderiu ao documento assinado na madrugada Foto : Tarsila Pereira
Governo e caminhoneiros chegaram a um acordo, assinado na madrugada desta quinta-feira, por grevistas e ministros do governo Dilma Rousseff, para acabar com os bloqueios nas estradas. A proposta foi fechada depois de três rodadas de negociação. "Nossa expectativa é que a categoria se sensibilize com as conquistas e encerre o movimento", diz o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno.

O acordo fechado garante sanção integral da Lei do Caminhoneiro; carência de 1 ano para pagamento das parcelas de financiamento de caminhões pelo Finame e Pró-Caminhoneiro; elaboração de tabela referencial de frete por entidades representativas de caminhoneiros, transportadoras e embarcadores com mediação do Ministério dos Transportes; ausência de aumento de diesel para caminhoneiros por seis meses.

O documento foi assinado por Miguel Rossetto (secretaria geral da presidência), Antônio Carlos Rodrigues (ministro dos transportes) e 11 representantes de trabalhadores.

Categoria não adere ao documento assinado e anuncia bloqueio geral

O protesto de caminhoneiros continua e será intensificado. Esta foi a afirmação do representante do Comando Nacional do Transporte, Ivan Luiz Schmitt, que concedeu entrevista à Rádio Guaíba na manhã desta quinta-feira falando sobre a manifestação que parou as rodovias do Brasil. Schmitt ainda descartou o suposto acordo com governo, noticiado no final da noite dessa quarta-feira. "A manifestação não vai ter fim e não aceitamos os termos que o governo quis nos impor. E vamos orientar os caminhoneiros no sentido de bloquear todos os veículos até o meio-dia", disse.

Informação de acordo e truculência em Fortaleza

Ivan Luiz Schmitt relatou ainda que participava de uma reunião no Palácio do Planalto quando foi divulgada a informação de um suposto acordo. "Esta afirmação partiu do governo, que na realidade fez um jogo de cena. Ao repassar para imprensa esta notícia, imediatamente políciais rodoviários de Fortaleza começaram a abordar caminhoneiros com truculência e dispersaram o movimento na região", declarou.

Nascido em Santa Catarina e radicado na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Ivan Schmitt garantiu que a mobilização dos caminhoneiros é totalmente independente e sem relação com qualquer partido político. Além disso, não há relação com sindicatos ou associações. "Existe um sindicato que tenta nos representar há muito tempo. Nós estamos tentando coordenar o movimento e estas pessoas tentam nos desqualificar", completou.

Bloqueios seguem

Sem o acordo, os bloqueios em todo o País continuam. No Rio Grande do Sul, ao menos 11 rodovias estão bloqueadas na manhã de hoje. São 27 trechos em que há manifestação dos caminhoneiros. Em Santa Catarina, ainda há 11 pontos de bloqueios com interdição parcial das pistas. Os caminhoneiros ocupam trechos das BRs-116, 282, 470, 158 e 163. Já Em Mato Grosso do Sul, manifestantes bloqueiam o quilômetro 256 da BR-163, em Dourados.

Pela proposta apresentada ontem, o governo promete sancionar a Lei dos Caminhoneiros sem vetos, prorrogar por 12 meses o pagamento de caminhões por meio do Programa Procaminhoneiro, além da criação, por meio de negociação entre caminhoneiros e empresários, de uma tabela referencial de frete. Nesse item, os representantes dos caminhoneiros pediram que o governo atue na mediação com os empresários.

As manifestações dos caminhoneiros, que tiveram reflexo em mais de dez estados, já provocam desabastecimento de combustível e alimentos em algumas cidades.