Até mesmo o presidente do sindicato dos rodoviários, Adair da Silva, acredita ser difícil o pedido de 15% de reajuste salarial ser atendido. A proposta, “construída com bom senso”, segundo o presidente, foi apresentada à patronal na tarde desta quarta-feira. “O nosso pedido de aumento está dentro da realidade econômica vivida no Brasil. Sei que é difícil conquistar, mas é um porcentual justo para começar a negociação”, afirma. A proposta dos rodoviários foi aprovada em assembleia da categoria na terça-feira, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Porto Alegre (Stetpoa).
A pauta foi encaminhada ao Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa). Em nota, o Seopa avisa que vai convocar uma assembleia dos associados para discutir as reivindicações e já adiantou que irá apresentar uma contraproposta, ainda sem data definida. A classe patronal lembra que, em 2016, tendo em vista a assinatura do contrato de concessão do serviço de transporte, estão previstos novos critérios e prazo de reajuste de tarifa, o que deverá ser considerado na composição da contraproposta apresentada pelas empresas.
Na pauta dos trabalhadores, além dos 15% de reajuste, é solicitada a criação de cesta básica no valor de R$ 90 e manutenção dos postos de trabalho nas empresas. Também pedem acréscimo no vale-alimentação, que passaria de R$ 21 para R$ 25, com pagamento do benefício no período das férias; limite do intervalo obrigatório para duas horas; fim do desconto de R$ 10 do plano de saúde, entre outros.
Tumulto na votação
A votação começou com tumulto e teve que ser paralisada. Um grupo representado por Luís Afonso Martins, delegado sindical da Carris, exigia a instalação de uma comissão, que já foi negada na Justiça, para participar dos encaminhamentos da direção do sindicato. Eles alegavam falta de democracia nas decisões e pediam modificações na pauta. “A falta de democracia impera. O sindicato tem que democratizar as relações com os trabalhadores”, afirmou Martins.
Depois disso, a votação foi reiniciada e as pautas aceitas, com o acréscimo da exigência pela redução da jornada de trabalho dos funcionários para seis horas, que deve ser feita de forma progressiva. Segundo o secretário-geral do sindicato Sérgio Vieira, não haverá formação de comissão. “Existem 9,5 mil trabalhadores querendo discutir e meia dúzia de gente querendo formar comissão por uma questão política”, salientou. Observou ainda que devem ser priorizadas alternativas para a proteção dos trabalhadores, que estão expostos diariamente a situações de risco.
Presidente do sindicato dos rodoviários acredita ser difícil reajuste de 15%
Proposta foi aprovada em assembleia da categoria na última terça e apresentada à patronal hoje