O ministro observou ainda que as manifestações devem ocorrer, aos moldes do que aconteceu na Copa das Confederações, em 2013. “Os protestos são articulados pelas redes sociais. Não há controle”, afirmou o ministro, acrescentando que as reivindicações estão relacionadas a demandas sociais, não diretamente ao torneio.
“Espero que a Copa seja um sucesso até pelo jeitinho dos nossos atletas, que nesse aspecto é positivo. Mas no jeitinho de fazer as obras no Brasil, com certeza estamos deixando a dever no sentido de apresentar para a sociedade uma solução melhor”, avaliou. Para Nardes, o visitante passará por constrangimentos no transporte durante o torneio provocados pela falta de planejamento.
Ele criticou o que chamou de “cultura do jeitinho” dos governantes e disse que o País precisa aprender a ter planejamento na preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. “Precisamos avançar como nação, apesar dos erros que teremos. Temos que mudar a cultura de improvisação e do jeitinho, aprender a planejar o país”, disse. Nardes projeta que a Copa do Mundo será um sucesso apenas “na televisão”.
Nardes encaminhará até junho ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, uma lista com cerca de 6 mil gestores públicos federais, estaduais e municipais que estarão impedidos de participar das próximas eleições. “É uma lista de condenados pelo TCU, chamada ficha suja, dos gestores que não tiveram as contas aprovadas em todo o País”, salientou Nardes, acrescentando que a lista foi elaborada a partir da avaliação da legalidade, da governança e da qualidade dos serviços prestados.
Segundo ele, inclusive militares das Forças Armadas estão entre os “sujos”. Para Nardes, a grande tragédia do Brasil é a ausência de governança, que impede os projetos de serem entregues de forma adequada. “Precisamos melhorar a governança e a gestão pública, qualificar o pacto federativo e solidificar a integração entre União, estados e municípios”, assinalou.
Tão logo termine o processo eleitoral, em novembro, o ministro pretende divulgar resultado de estudo elaborado em parceria com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (CDE) aos governantes eleitos ou reeleitos. “Vamos mostrar os três principais gargalos da segurança pública, da saúde, da educação, da infraestrutura, entre outros setores”, ressaltou. Disse que o TCU e o CDE apresentarão os principais problemas do país, mas a solução caberá aos gestores.