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Primeiras dez famílias são transferidas da vila Chocolatão

Moradores trocaram pequenos casebres de madeira por casas de alvenaria, em Porto Alegre

	Primeiras dez famílias são transferidas da vila Chocolatão
Primeiras dez famílias são transferidas da vila Chocolatão Foto : Pedro Revillion
Dez famílias foram transferidas, na manhã desta quinta-feira, da vila Chocolatão, no Centro de Porto Alegre, para o Residencial Nova Chocolatão, no bairro Mario Quintana, na zona Norte, trocando pequenos casebres de madeira por casas de alvenaria. Ainda restam 171 famílias, que devem se mudar até o fim do mês. A vila surgiu de uma ocupação irregular em uma área do governo federal, na década de 80. A dona de casa Angelita Clara Camino, de 41 anos, gostou do novo endereço. “Estou feliz. Sei que minha vida vai mudar”, disse ela, assinalando que a partir de agora terá endereço fixo para o recebimento de correspondências.

Outra que festejou a mudança foi a auxiliar de serviços gerais Lourdes Helena Ventura de Moura, de 49 anos. Emocionada, ela acompanhou de perto a desocupação do casebre de dois cômodos e a demolição do mesmo. “Estou saindo de uma situação precária para viver em um lugar com infraestrutura e limpo”, comparou. Lourdes estava aliviada porque a comadre Nelci Farias dos Santos, de 30 anos, também passará a morar a partir de hoje no Residencial Nova Chocolatão. “Estamos empolgadas e, ao mesmo tempo, emocionadas”, relatou.

O desejo de deixar a área irregular era tamanho que a filha de Nelci, Jeniffer, de cinco anos, acordou antes do amanhecer. Ansiosa, a menina trocou de roupa e pegou a cadela Laica antes de deixar o casebre. A garota posicionou-se à entrada da favela, agarrada ao animal, apenas esperando o momento de embarcar no veículo que a conduziria à nova casa. “Não vou soltar a Laica. Ela pode sumir”, disse.


Manhã foi de arrumar a casa nova no Residencial Nova Chocolatão. | Foto: Pedro Revillion

O diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Humberto Goulart, acompanhou de perto as transferências. “Essas famílias estão conquistando a emancipação. Deixarão no passado barracos recheados de miséria, de lixo e desconforto”, observou. Goulart lembrou que oum galpão que será utilizado como Unidade de Triagem de Resíduos do Residencial Nova Chocolatão, doado pela Soluções Usiminas e que será inaugurado nesta sexta-feira.

Segundo ele, o loteamento será atendido pelo Banco de Alimentos da Fiergs, que capacitará as mulheres da comunidade a trabalhar nas cozinhas da unidade de triagem e da creche. Além disso, o Banco doará alimentos não perecíveis para o preparo do alimento e uma cesta básica para cada família transferida.

Pelo fato de a vila Chocolatão ter se estruturado em uma área federal, a desocupação está sendo acompanhada de perto por agentes do Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal, além da Justiça Federal e do Ministério Público Federal. A Procuradoria-Geral de Justiça também acompanha a movimentação das famílias.

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