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Principais praias avaliam a temporada

Ruas do Centro de Capão da Canoa permaneceram cheias

Presença de consumidores em Tramandaí foi aquém do esperado
Presença de consumidores em Tramandaí foi aquém do esperado Foto : Guilherme Testa
Capão da Canoa

As ruas do Centro de Capão da Canoa permaneceram cheias durante toda a temporada. O comércio, principalmente de rua, foi favorecido. “Foi a melhor temporada de todas. Pensamos que ia ser ruim por causa da crise, mas foi maravilhosa”, avalia Josi Matos, que tem uma banca de artesanato há 18 anos na praça central da cidade. O colega Éder Silva também diz não ter do que reclamar. “O movimento na praia foi bom. Tinha muito argentino aqui esse ano. Antigamente, eles só passavam direto para Santa Catarina.”

A recepcionista do hotel Bassani também atribui aos argentinos o sucesso da temporada. “Foi bem melhor do que o ano passado, devido à quantidade de turistas estrangeiros. Se dependesse apenas dos brasileiros, a ocupação teria sido baixa”, analisa Cláudia Krebs. Já o proprietário da imobiliária Área Nova, Paulo dos Santos, diz que o perfil de locação mudou este ano. “As pessoas procuravam alugar imóveis com preço mais baixo e por menos dias.” Segundo ele, há alguns anos, o período normal para alugar eram 30 ou 15 dias. “Esse ano aluguei casa até por três dias, apenas para o final de semana.” Ele também acredita que a presença estrangeira ajudou no bom resultado da temporada. “Se não fossem os argentinos, uruguaios e paraguaios, o movimento seria 50% menor em relação ao ano passado.”

Um dos fatos que marcou a temporada foi a presença de isopores na areia. Para economizar no lanche à beira mar, muitos trouxeram comida e bebida de casa. A novidade não atrapalhou o movimento no quiosque da Família Silva. “Esse ano foi melhor do que o passado porque veio bastante argentino e os veranistas gastaram bastante. Foi o melhor ano que teve”, informa Karina Petry, que atende há cinco anos no local.

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Torres


Torres foi a praia mais favorecida pela invasão dos vizinhos estrangeiros. A rede hoteleira e o setor gastronômico comemoram. Fernando Neves, que atende na Pousada Solar Dom Kido, afirma que a hospedaria permaneceu lotada em praticamente todos os dias da temporada. Segundo ele, 80% dos hóspedes eram argentinos. “O movimento cresceu bastante. Os quartos mal ficavam vagos e já entrava um novo cliente”

Os comerciantes da beira da praia, no entanto, reclamam que a maioria dos turistas e veranistas “veio apenas para passear” e gastou menos do que o esperado. “Esse ano foi mais fraco, mas com mais argentinos, principalmente em janeiro”, aponta Mari Machado, que trabalha em um quiosque que vende crepe no calçadão da Praia Grande. De dentro da banca, ela observou durante toda a temporada que muitos veranistas passavam em direção ao mar com coolers para o acondicionamento de bebidas. Cresceu também o número de churrasqueiras particulares improvisadas na areia, o que garantiu o almoço mais econômico de centenas de famílias.

Maiquel Rabelo vende artesanato e oferece tatuagens de henna. “Meu movimento baixou muito, porque o turista fica pouco em Torres. Em dois dias, já dá para conhecer todos os atrativos da cidade”, critica. Apenas mercadorias de pequeno valor venderam bem, como as pulserinhas de corda, que custam R$ 5, e as tatuagens menores, a partir de R$ 8.

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Tramandaí

Em relação às praias mais à Norte, a crise econômica foi mais sentida em Tramandaí. “Não subimos quase nada os nossos preços, mas o movimento caiu 30%”, afirma Leoni Magno da Rosa, a “Gorda”, que mantém um quiosque há 40 anos na orla. “A tendência é movimento diminuir ainda mais no próximo ano”, prevê. No quiosque vizinho ao dela, o proprietário Elias Santos, diz que o movimento foi bom apenas aos finais de semana. Já Alselma Regina Krüger, a “Nena”, também dona de quiosque homônimo, afirma que o faturamento caiu 20% em comparação com a temporada anterior.

No camelódromo, o clima é de tristeza. Zilá Ramos, que tem uma banca há 12 anos no local, aponta que o movimento caiu pela metade. “Teve muito cliente pedindo desconto, mas não pude dar. E os argentinos não vieram, apenas uma meia dúzia.” Eloir da Rocha faz coro à colega. “O movimento foi, provavelmente, a metade do registrado no ano passado. Eu ficava até constrangida de dar o preço do produto aos clientes.” Como exemplo, ela cita a disparada do valor de venda de um rádio. No ano passado, custava R$ 60. Este ano, a mercadoria pulou para R$ 140.

Nas imobiliárias do município, o sentimento é o mesmo. “O número de locações caiu 50% em relação ao no passado”, afirma Marcelo Nunes, gerente da imobiliária Macri. O fator climático também é apontado como vilão. “A locação foi muito mais lenta, principalmente em função do clima, que foi ruim no Natal e no Ano Novo”, analisa Odair Marques, proprietário da Inova. Mesmo com preços semelhantes aos praticados em 2015, metade dos inquilinos de temporada desapareceu. “Em compensação, tivemos o dobro de movimento no Carnaval, o que compensou a baixa na temporada.”