O Ministério Público Federal em São Paulo abriu um inquérito civil público para apurar as circunstâncias da sindicância que resultou na expulsão de Geisy Arruda da Uniban. Ela foi hostilizada pelos estudantes da universidade por usar um vestido curto quando foi para a aula de 22 de outubro. A Procuradoria quer assegurar o direito de defesa da universitária.
O procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, que conduz a investigação, disse que o objetivo do inquérito é investigar se foi adotado o devido processo legal e se foram respeitados os direitos da ampla defesa da estudante. O procedimento também vai verificar se a Uniban agiu de forma discriminadora contra Geisy.
Dias explicou que o inquérito foi aberto depois que a imprensa noticiou que a aluna acabou sendo expulsa da universidade sem poder se defender.
- O que se espera de uma universidade é que ela tenha condições de formar cidadãos. No presente caso, é bastante preocupante a postura da Uniban, que pode indicar que ela não está preocupada com essa formação integral. Além disso, aparentemente, a vítima foi transformada em 'culpada' sem que tivesse a condição de expor a sua versão dos fatos.
O MEC (Ministério da Educação) deu 10 dias para a Uniban dar explicações sobre a explusão da estudante. Nesta segunda-feira (9) a Delegacia da Mulher em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, também abriu inquérito para apurar o caso. O Procon (órgão de defesa do consumidor) em São Paulo também abriu um procedimento para investigar a postura da universidade em quebrar um contrato com a aluna sem consultá-la.
Geisy foi expulsa da Uniban no último sábado. No domingo, a universidade publicou um comunicado nos jornais. A nota dizia que a aluna foi expulsa “em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.
Nesta segunda-feira, a ex-aluna e seus advogados de defesa realizaram uma entrevista coletiva para informarem que, na terça-feira, eles entrarão com um pedido de medida cautelar para que ela possa terminar este semestre de estudos. Geisy quer terminar os estudos.
- A minha vontade é terminar o curso e acreditar que ainda há Justiça no Brasil. Isso não pode acontecer com outras mulheres.
OAB diz que expulsão de aluna da Uniban é “obscurantista e nefasta”
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil não admite gestos como o que ocorreu com a estudante Geisy Arruda, expulsa da Uniban no último sábado após ser hostilizada por estudantes da faculdade ao usar um vestido curto no dia 22 de outubro.
Para ele, a expulsão da jovem pela Uniban “consagra uma mentalidade obscurantista e nefasta”. Durante entrevista nesta segunda-feira, em Brasília, o presidente da OAB avaliou também que a decisão mostrou preconceito, e que isso não deve ser aceito em nenhum lugar, principalmente em um ambiente universitário.
As informações são do R7.
Procuradoria abre inquérito para investigar expulsão da Uniban
Geisy Arruda foi hostilizada pelos estudantes por usar um vestido curto