Segundo o autor da avaliação, o economista Martinho Lazzari, os serviços representam 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul e a indústria, 30%, mas a influência do setor primário pode chegar a uma participação de quase um terço. “Se somarmos os setores de defensivos agrícolas, máquinas, equipamentos, comércio e armazenamentos podemos chegar neste percentual”, explicou. Portanto, a seca deste ano deve exercer uma força negativa na economia em 2012.
“Certamente terá uma repercussão, mas isso não quer dizer que o PIB cairá”, afirmou o diretor técnico da FEE, André Luis Forti Scherer. Os pesquisadores da fundação disseram que é difícil fazer uma previsão do quanto a estiagem irá afetar o Estado. “Ainda é muito cedo e os dados são incertos. Existe a possibilidade de chuva e temos que observar o comportamento da indústria”, ressaltou Lazzari. “A seca vai diminuir a produção, mas os preços devem aumentar”, salientou, avaliando também que a região Centro-Oeste pode se beneficiar tanto da baixa da produção gaúcha, como do acréscimo nos valores de comercialização.
De acordo com os números de 2009, a agropecuária do Rio Grande do Sul é a segunda mais importante do país, perdendo apenas para Minias Gerais. O Estado contribui com 11,8% da participação nacional do setor. Esse percentual é maior do que a média brasileira (5,6%) e superior ao peso dos outros estados. O forte crescimento da agropecuária no ano passado, por exemplo, gerou efeitos positivos para outras atividades.
“Se constata mais uma vez que o setor tem forte importância no ritmo da economia”, explicou Lazzari, com base em dados da participação do PIB nos últimos 11 anos. Em dez deles, ficou claro que quando o produto da agropecuária gaúcha cresce acima da taxa do PIB do Estado, o PIB gaúcho cresce mais do que o do país. Nas situações em que ocorre o contrário, o PIB do Rio Grande do Sul expande-se menos do que o nacional.
A Carta de Conjuntura da FEE divulga também as projeções populacionais do Estado nos próximos 40 anos. A estimativa é de que o ápice será entre 2025, quando o Rio Grande do Sul deve atingir 11,04 milhões de habitantes, e 2035, com expectativa de 11,62 milhões e habitantes. O estatístico e pesquisador da FEE Pedro Tonon Zuanazzi avalia que ocorrerá quase que uma inversão da pirâmide populacional gaúcha, com uma gradual redução do número de jovens (até 14 anos) e aumento de idosos. Segundo ele, essa projeção deve interferir nos setores previdenciário e de saúde. “Vai impactar, porque quem contribui é quem está trabalhando agora”, afirmou. “No futuro, será mais importante melhorar a qualidade do ensino do que construir mais escolas, já que o número de alunos deverá cair”, acrescentou. Zuanazzi ainda mostrou que foi observada uma migração dentro do Estado, com aumento populacional em cidades como Caxias do Sul e municípios do Litoral Norte. “Ainda não temos as informações precisas, mas no caso de Caxias, acreditados que isso se deve à economia da região.”
A publicação também traz o desempenho do mercado de trabalho na Região Metropolitana em 2011. Segundo a FEE, o período de janeiro a novembro do ano passado foi favorável em relação ao mesmo período de 2010. Isso se deveu à diminuição da taxa de desemprego, que passou de 8,9% para 7,5%, sendo o menor índice registrado para o período em toda a série da pesquisa. A Carta de Conjuntura mostra ainda que o VAB do comércio no Estado cresceu acima da média da economia em 2011. No ano, a variação foi de 7,7%, conforme estimativa preliminar.
A regionalização e caracterização da pobreza no Estado também consta na Carta da FEE. Considerando o Censo Demográfico de 2010, observou-se que 198 mil pessoas no Estado viviam em pobreza extrema naquele ano – população residente em domicílios particulares com rendimento mensal per capita de até R$ 70,00. O líder no ranking, em termos percentuais, é o município de Redentora, com 23,45% da população.