Produtores rurais bloquearam por duas horas o acesso à Ponte da Integração que liga São Borja, no Brasil, a Santo Tomé, na Argentina. O movimento começou às 9h da manhã em frente ao parque de exposições Serafim Dorneles Vargas. Logo após, os agricultores se deslocaram até o km 681 da BR-285, único acesso à Ponte da Integração.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, cerca de 100 carros formaram uma fila de quase 1 km. O protesto no local afetou estudantes que utilizam a rodovia para se dirigir à Fundação Héctor Barceló, em Santo Tomé.
Cerca de 300 produtores da região, integrantes da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e entidades de defesa da classe participaram do ato. Eles protestaram contra os baixos valores pagos pela tonelada de trigo e pela importação do grão vindo dos países do Mercosul, principalmente da Argentina. Atualmente o valor pela tonelada é de R$ 550, "muito abaixo do preço mínimo considerado", avalia o presidente do Sindicato Rural de São Borja, Dirceu Dorneles Filho, um dos líderes do movimento. Conforme o presidente, na época de colheita as indústrias começam a importar o produto, forçando os produtores a vender por um preço mais baixo, o que segundo ele, não paga os custos de produção.
A mobilização serviu também para tentar sensibilizar o governo federal a aumentar o investimento para R$ 600 milhões no programa Aquisição do Governo Federal (AGF), em que o governo compra o produto e estoca para ser usado em projetos sociais e para reserva de mercado.
Na ocasião, foi entregue para a chefe da unidade do Ministério da Agricultura em São Borja, Mirela Janice Eidt, um documento assinado pelas lideranças contendo uma série de reivindicações para serem encaminhados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As solicitações são a elevação da Tarifa Externa Comum, que atualmente é de 10% para 35%, para tentar coibir a importação, e valorizar o produto nacional. Outra reivindicação feita pelos produtores é para que as importações de trigo e farinha de origem dos países do Mercosul e de terceiros países, sejam suspensas por 180 dias, para que o produtor possa comercializar a safra.
Produtores rurais encerram protestos na BR-285
Cerca de 100 carros formaram uma fila de quase 1 km em São Borja