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Professora que obrigou aluno a pintar paredes se diz injustiçada

Maria Denise Bandeira acredita que Estado deveria ser acionado na Justiça em vez dela

Professora terá que pagar multa por punição a aluno
Professora terá que pagar multa por punição a aluno Foto : Marjulie Martini/Rádio Guaíba
“Tudo que fiz foi por conta das diretrizes do plano político-pedagógico da escola, homologado pela mantenedora, que é a Secretaria Estadual da Educação. Dizem que eu não poderia ter feito ele pintar, mas o plano prevê que o aluno tem que recuperar o seu dano”, desabafa Maria Denise Bandeira, vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena, na Parada 42, em Viamão. Obrigada pelo Ministério Público a pagar meio salário mínimo para evitar que o processo movido pelos pais de um garoto de 14 anos virasse criminal, ela contou à reportagem da Rádio Guaíba que não dormiu nesta noite.

Em 8 de setembro, um dia depois de ocorrer um mutirão de pintura na escola, com tintas pagas pela comunidade, um aluno de 14 anos pichou sete salas de aula. Como a professora viu ele escrevendo o nome em uma delas, mandou o aluno pintar todas as paredes que tinham a assinatura do apelido. Os colegas fizeram um vídeo, que foi parar no site YouTube. Os pais reclamaram que o filho foi submetido à situação vexatória, devido à Maria Denise tê-lo chamado de “bobo da corte”.

A professora afirmou que os pais dos alunos a procuraram nesta manhã, dizendo que ela não deveria ter aceito pagar a multa. “Eles estão revoltados e entendendo que há uma grande inversão de valores”, relata. “A gente está aqui para ensinar, não para educar. Educação tem que vir de casa e isso não está acontecendo”, constata a vice-diretora da tarde, que dá aulas de Língua Portuguesa, Inglês, Artes e Literatura para os estudantes de 5º ano do Ensino Fundamental e também para o Ensino Médio. “As autoridades não conseguiram entender que a educação é o controle total das nações, a gente tem que priorizar o educar”, lamenta.

“Tem um bolo na minha garganta, uma coisa entalada por ter que ter feito esse acordo. Eu estava defendendo o patrimônio público, é uma ironia isso pra mim”, revela.

De unhas roídas, ela contou que o pior é a sensação de impotência, e uma prova de que, como professora, tem que cumprir determinações injustas. “Aceitar a multa não foi assumir culpa, porque fiz o que achava certo”, finaliza. Para a professora, "se a Promotoria da Infância e Juventude acha que o plano político pedagógico da escola está errado, o Poder Executivo deve ser acionado na Justiça" em vez dela. A promotora Daniela Lucca da Silva está em período de licença-saúde e deve esclarecer a decisão na segunda-feira.