Os servidores paranaenses envolvidos no confronto da última quarta-feira, com a Polícia Militar, no Centro Cívico de Curitiba, recolheram pedaços de bombas para levar ao Ministério Público Estadual, que investiga abusos na ação repressiva. Nesta sexta, as manifestações do Dia do Trabalhador na capital paranaense foram marcadas por atos de repúdio à intervenção policial. Os manifestantes jogaram tinta vermelha na fonte que fica na frente do Palácio Iguaçu, do governo do Estado, arriaram as bandeiras do Brasil e do Paraná, e colocaram faixas pretas nas principais estátuas do percurso, incluindo as de Nossa Senhora da Salete, que fica na frente da Assembleia Legislativa. O Batalhão de Choque segue posicionado ao redor do palácio.
A professora Vera Marcia Mortean, de 53 anos, foi uma das que guardaram restos do arsenal usado pela polícia na repressão da manifestação, que acabou com 234 feridos.
O governo do Estado afirma que a ação foi necessária para impedir a invasão da Assembleia Legislativa, que votava mudanças na previdência estadual, e só aconteceu após provocação de black blocs infiltrados. "Foi a PM sendo usada como aparato ideológico para impedir uma manifestação livre, foi um exercício de atitude antidemocrática", rebate Vera.
O Ministério Público deverá ouvir, nos próximos 30 dias, todas as pessoas que queiram relatar o que aconteceu durante o confronto. O objetivo é apurar as responsabilidades. O promotor Eliezer Gomes vê "indícios de excessos".
Vera conta que recolheu as peças na madrugada de quinta-feira, 30 de abril, horas depois dos confrontos. "Fiz também a pedido de uma professora amiga que foi atingida pela polícia e precisou ser atendida pelos médicos", contou. Ela ainda entregou um vídeo que mostra uma ação policial na madrugada do dia 28.
A professora, que leciona há 28 anos, afirmou que a ação policial já era observada desde o primeiro dia de manifestação. "Policiais à paisana monitoravam toda a área e, em um determinado momento, avançaram para onde estávamos acampados e iam arrastando (segurando por braços e pernas) as pessoas que se colocaram, deitadas, na frente do carro de som que era usado pelo movimento para informar o que acontecia dentro da Assembleia", disse.
Professores do Paraná recolhem provas de violência da PM
Governo do Estado afirma que a ação foi necessária para impedir a invasão da Assembleia Legislativa