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Professores estaduais encerram greve após duas semanas

Categoria tomou decisão em assembleia realizada nesta tarde em frente ao Piratini

Professores estaduais encerram greve após duas semanas
Professores estaduais encerram greve após duas semanas Foto : Cristiano Estrela / Divulgação
Os professores estaduais decidiram pelo fim da greve da categoria, em assembleia geral organizada pelo Cpers Sindicato, na tarde desta sexta-feira, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. A paralisação já durava duas semanas. No início da tarde, o Conselho Geral da entidade admitiu a intenção de levar a debate o indicativo de fim da greve, mesmo que a pauta do magistério não tenha sido atendida.

Mesmo com o fim da greve, os professores decidiram prosseguir a mobilização e foi agendada uma nova assembleia para a segunda quinzena de março, no início do ano letivo. Os grevistas colaram cartões vermelhos nas paredes do Palácio Piratini, com recados ao governador Tarso Genro.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, a paralisação se encerra com baixa adesão – a pasta estima que 2% dos professores tenham participado do movimento.

Discussão entre professores


Durante a assembleia, houve discussão entre professores. Quando uma das servidoras pregava, em discurso, a união da categoria, um grupo de grevistas elevou o tom da crítica e houve um princípio de confusão. A Brigada Militar acompanhou tudo à distância. Alguns professores intervieram para encerrar a briga.


Professores estaduais encerram greve após duas semanas | Crédito: Cristiano Estrela / Divulgação

Reorganização dos turnos

A secretária-adjunta da Educação, Maria Eulália Nascimento, afirmou que, a partir de agora, cada diretor deve reorganizar o horário da sua escola a fim de recuperar as aulas e completar os 200 dias letivos e 800 horas aulas previstas no calendários escolar. Sobre o ponto, ela disse que vai constar efetivamente o que foi declarado: "Se o professor se declarou em greve, é isso que deve constar na efetividade dos profissionais que pararam".

Questionada sobre a divisão de opiniões dentro da categoria, em função da discussão entre os próprios professores, em frente ao Piratini, Maria Eulália foi enfática: "Acho que a baixa mobilização expressa isso muito mais do que quaisquer palavras que eu possa dizer". A secretaria da Educação estima que a greve começou em 55 escolas, mas ontem menos de 30 continuavam paralisadas.

Cpers critica governo

A presidente da entidade, Rejane de Oliveira, acusou o governo de traição ao não implementar o piso nacional, de R$ 1.187. A sindicalista também reclamou da falta de coragem dos representantes do Executivo que, segundo ela, sequer receberam os professores para negociar, a não ser "na calçada, com sol ou com chuva".

Na quarta-feira, os professores que estavam em vigília na frente do Palácio Piratini desde o início da greve foram até a porta da sede do governo para devolver oficialmente a proposta do Executivo de integralização do Piso Nacional da categoria. Os docentes rejeitaram a proposta do governo em reunião realizada na terça-feira.

Governo propõe comissão mista

Maria Eulália criticou a posição do Cpers de não negociação, reiterada nesta sexta-feira. "Lamento muito saber que essa postura – já expressa quando da devolução do documento que convidava a categoria a compor comissão mista de discussão – foi reiterada. A criação de comissões mistas com o governo faz parte da história do sindicato", alegou.

O secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo, afirmou que o governo propôs a criação de uma comissão mista, na qual seriam discutidos os conteúdos, os conceitos e a forma de operacionalização da proposta de reestruturação curricular do Ensino Médio. “Se há uma diferença muito grande entre o que o Cpers propõe e o que nós propusemos, nós estamos dispostos a discutir e a encontrar pontos de aproximação”, argumentou o secretário, na terça-feira, quando foi realizada uma reunião com o sindicato, que acabou sem acordo.

Com informações do repórter Voltaire Porto, da Rádio Guaíba

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