Mesmo com o fim da greve, os professores decidiram prosseguir a mobilização e foi agendada uma nova assembleia para a segunda quinzena de março, no início do ano letivo. Os grevistas colaram cartões vermelhos nas paredes do Palácio Piratini, com recados ao governador Tarso Genro.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação, a paralisação se encerra com baixa adesão – a pasta estima que 2% dos professores tenham participado do movimento.
Discussão entre professores
Durante a assembleia, houve discussão entre professores. Quando uma das servidoras pregava, em discurso, a união da categoria, um grupo de grevistas elevou o tom da crítica e houve um princípio de confusão. A Brigada Militar acompanhou tudo à distância. Alguns professores intervieram para encerrar a briga.
Professores estaduais encerram greve após duas semanas | Crédito: Cristiano Estrela / Divulgação
Reorganização dos turnos
A secretária-adjunta da Educação, Maria Eulália Nascimento, afirmou que, a partir de agora, cada diretor deve reorganizar o horário da sua escola a fim de recuperar as aulas e completar os 200 dias letivos e 800 horas aulas previstas no calendários escolar. Sobre o ponto, ela disse que vai constar efetivamente o que foi declarado: "Se o professor se declarou em greve, é isso que deve constar na efetividade dos profissionais que pararam".
Questionada sobre a divisão de opiniões dentro da categoria, em função da discussão entre os próprios professores, em frente ao Piratini, Maria Eulália foi enfática: "Acho que a baixa mobilização expressa isso muito mais do que quaisquer palavras que eu possa dizer". A secretaria da Educação estima que a greve começou em 55 escolas, mas ontem menos de 30 continuavam paralisadas.
Cpers critica governo
A presidente da entidade, Rejane de Oliveira, acusou o governo de traição ao não implementar o piso nacional, de R$ 1.187. A sindicalista também reclamou da falta de coragem dos representantes do Executivo que, segundo ela, sequer receberam os professores para negociar, a não ser "na calçada, com sol ou com chuva".
Na quarta-feira, os professores que estavam em vigília na frente do Palácio Piratini desde o início da greve foram até a porta da sede do governo para devolver oficialmente a proposta do Executivo de integralização do Piso Nacional da categoria. Os docentes rejeitaram a proposta do governo em reunião realizada na terça-feira.
Governo propõe comissão mista
Maria Eulália criticou a posição do Cpers de não negociação, reiterada nesta sexta-feira. "Lamento muito saber que essa postura – já expressa quando da devolução do documento que convidava a categoria a compor comissão mista de discussão – foi reiterada. A criação de comissões mistas com o governo faz parte da história do sindicato", alegou.
O secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo, afirmou que o governo propôs a criação de uma comissão mista, na qual seriam discutidos os conteúdos, os conceitos e a forma de operacionalização da proposta de reestruturação curricular do Ensino Médio. “Se há uma diferença muito grande entre o que o Cpers propõe e o que nós propusemos, nós estamos dispostos a discutir e a encontrar pontos de aproximação”, argumentou o secretário, na terça-feira, quando foi realizada uma reunião com o sindicato, que acabou sem acordo.
Com informações do repórter Voltaire Porto, da Rádio Guaíba