Os profissionais de ensino da rede municipal estavam instalados dentro da Câmara desde a quinta-feira para tentar forçar o governo de Eduardo Paes (PMDB) a retirar o projeto que altera o Plano de Cargos e Salários da categoria.
No início da tarde de domingo, cerca de 150 professores e funcionários ligados ao Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe) estavam junto a uma porta lateral do palácio, na Cinelândia, zona central do Rio. Ainda abalados com o procedimento dos policiais militares para a retirada – que incluiu o uso de bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta –, os professores projetam medidas judiciais "em todas as instâncias possíveis", contra a Polícia Militar.
O Sepe ainda não fechou o balanço mas, durante a retirada, quatro professores foram detidos e pelo menos 20 teriam se ferido, sendo encaminhados ao hospital Souza Aguiar, no centro.
Segundo uma das coordenadoras-gerais do Sepe, Gesa Correa, há uma programação cultural prevista para este domingo. Apesar do clima instável, com chuvas esparsas no Rio, os profissionais de ensino pretendem fazer um piquenique ao lado do palácio. Outras atividades, como projeção de filmes e exposição de fotos da mobilização do Sepe, também estão previstas.
Na manhã deste domingo, a Câmara de Vereadores lançou nota à imprensa em que agradece o apoio da Polícia Militar e garante que as atividades legislativas serão retomadas normalmente a partir da segunda-feira. A nota diz ainda que "durante os três dias de ocupação, todas as tentativas de diálogo com os manifestantes, promovidas pelos vereadores e agentes da PM, foram esgotadas".
Governador critica ocupação e defende diálogo
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse neste domingo que a melhor forma de defender as reivindicações é por meio de diálogo, ao falar sobre a ocupação do plenário do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio, por professores. Cabral não quis comentar se houve excessos da Polícia Militar durante a desocupação, conforme informaram professores. Ele afirmou que não viu as imagens e por isso não pode julgar o comportamento dos policiais.
“Ter a participação da população é muito importante”, avaliou. “A democracia estabelece ritos e deve ser sempre, em tese, dessa maneira. Como ex-parlamentar e chefe do Legislativo, acho que a participação da população deve ser sempre dentro do que se chama direitos e deveres, mas, se houve enfrentamento ou não, eu não sei. Não vi as imagens. Em tese, ocupar também o plenário do Poder Legislativo não é a melhor forma de se dialogar e de se acompanhar qualquer tipo de debate”, disse.