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Profissionais do Mais Médicos participam de ação de acolhimento em Porto Alegre

Iniciativa inédita no país teve como finalidade repassar as informações técnicas da atuação

Encontro também deixou em evidência as dificuldades da consolidação do programa
Encontro também deixou em evidência as dificuldades da consolidação do programa Foto : Alina Souza
Com menos de 1/4 das vagas preenchidas no Rio Grande do Sul, os primeiros profissionais do programa Mais Médicos foram recepcionados nesta quarta, numa ação de acolhimento em Porto Alegre. A ação inédita no país teve como finalidade repassar as informações técnicas da atuação dos profissionais, facilitando a integração dos mesmos. O encontro também deixou em evidência as dificuldades da consolidação do programa, como o não preenchimento das vagas abertas com a saída dos médicos cubanos, com o fim da parceria, em novembro.

Segundo responsável do Ministério da Saúde pelo programa no RS, Demétrio de Lacerda Caetano dos Santos, basicamente são dois os fatores: a dificuldade de fixação dos profissionais e o fato de o profissional não ter o perfil para atuar na atenção básica. Mesmo diante da grande desistência dos profissionais já inscritos, ele considerou o processo normal. Acredita que com o segundo edital, que foi lançado nessa semana e é aberto para profissionais brasileiros formados em outros países ou mesmo médicos estrangeiros, será possível atingir a meta.

Do outro lado, o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Diego Espíndola, reforçou que as dificuldades no preenchimento das vagas já eram conhecidas. "As preocupações já existiam e apenas foram confirmadas. Os médicos podem até se interessar, mas na prática, não é fácil levar um médico para uma cidade do interior ou para uma unidade afastada dos grandes centros", explicou.

De acordo com a tutora do programa no Hospital Conceição (GHC), Claunara Mendença, os desafios do Mais Médico são grandes no Estado, assim como no resto no país, em função da cultura da formação médica. "A atenção básica é uma especialização feita após a formação. Porém, a procura é muito baixa", ressaltou. No caso do programa, os médicos recebem uma bolsa para fazer essa especialização e, assim, têm acompanhamento de supervisores.

"O foco da atuação desses profissionais é a atenção básica, que envolvem as doenças prevalentes, que são as doenças mais comuns, como por exemplo as agudas, gripes e sofrimentos psíquicos", destacou. Por outro lado, ela lembrou que o próprio programa Mais Médicos trouxe uma obrigatoriedade nos currículos de medicina no país, como a atuação nas unidades básicas. "Porém, esses novos profissionais ainda não estão formados e inseridos no mercado", avaliou.

Novo

Uma das curiosidades entre os profissionais que se apresentaram é que cerca da metade vieram de outros estados. Com 30 anos de experiência, a médica Socorro Zózimo deixou o nordeste para assumir uma vaga numa unidade básica de saúde de Novo Hamburgo. Para ela, que também atuou em outros estados, como Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul, o desejo é grande era grande de vir para o Rio Grande do Sul.

Além disso, ressaltou a oportunidade de atuar na atenção básica, que considera essencial no tratamento das doenças. "É na unidade básica que ocorre a prevenção. É preciso investir na base, para desengarrafar os hospitais. Um bom tratamento na unidade faz muita diferença", avaliou, empolgada com a mudança e ainda se adaptando, como ao clima diferenciado do Estado. "Ontem (terça-feira) quase derreti", brincou.