O Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro com maior incidência de aids e a posição tem sido mantida na última década. Segundo a coordenadora do departamento de Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a maior preocupação é que a incidência média do País tem reduzido nos últimos anos mas a média gaúcha só aumentou. Para ela, essa situação é reflexo das dificuldades das administrações em gerenciar os programas de prevenção da doença. "Recursos não faltam. Ao contrário, sobram. Essa é uma realidade nacional que precisa ser enfrentada", explicou ela, durante reunião na manhã de hoje na Frente Parlamentar de Luta contra DTS, HIV e Aids da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Mariângela lembrou ainda que, por ano, são repassados pelo governo federal R$ 4,34 milhões ao Estado, porém, problemas de burocracia e gestão não permitem a utilização total dos valores. Ela citou a situação de Porto Alegre, que recebeu R$ 1,38 milhões em 2009 e gastou apenas R$ 504 mil. Outro dado preocupante é em relação a incidência da doença nas cidades gaúchas. No levantamento do ministério, dos 15 municípios com maior presença da aids, 11 estão no Rio Grande do Sul, sendo que o ranking é liderado por Porto Alegre. A capital gaúcha contabiliza 111,5 casos por 100 mil habitantes.
Para a presidente da Frente, vereadora Sofia Cavedon, o cenário apresentado é alarmante. Além disso, os dados mostram que existe uma necessidade urgente de se desenvolver políticas específicas de combate à doença em Porto Alegre e no Estado. "É preciso o envolvimento de todos os departamentos da saúde para apontar onde estão os problemas e como é possível mudar essa realidade", afirmou ela.
Sobre o cenário brasileiro, o ministério estima que 630 mil pessoas estejam infectadas, sendo que a doença está presente em todos os municípios do país. Da década de 80 até 2008, no mínimo 217 mil pessoas morreram devido a aids. A média de óbito é de 11 mil por ano. Sobre os avanços, a coordenadora destacou também que o tratamento tem ampliado a sobrevida do paciente com a doença. A coordenadora citou que entre 1981 e 1989, em média, uma pessoa sobrevivia cinco meses depois do diagnóstico. Já entre 1998 e 1999, o índice subiu para nove anos. "Isso mostra que o tratamento é a melhor alternativa para que os infectados lutem contra a doença", afirmou. Ela lembrou ainda que atualmente mais de 200 mil pessoas estão em tratamento no País. Mariângela destacou que para reduzir o avanço da doença foram aumentados os investimentos, por exemplo, em prevenção, em especial dos grupos mais vulneráveis, a educação e a distribuição de preservativos (465 milhões apenas em 2009).
Programas de prevenção à aids são mal geridos, segundo representante do Ministério da Saúde
Coordenadora do departamento de Aids e Hepatites Virais, Mariângela Simão, diz que recursos não faltam