Uma nova exigência do Ministério da Agricultura para evitar contaminações de alimentos na Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa RS), em Porto Alegre, poderá causar reflexos nos preços de verduras e legumes vendidos por pequenos e médios comerciantes da região Metropolitana. Desde setembro, estão proibidas caixas de madeiras dentro dos locais de venda de produtos da central, localizada na zona Norte da cidade. A mudança obrigou os comerciantes da Ceasa a gastarem mais, já que eles precisam usar materiais de plástico e pagar pela sua limpeza. Com isso, a caixa de tomate, que custava cerca de R$ 40,00 antes de setembro, agora é vendida por até R$ 60,00.
O vendedor Alfredo Faleiro, 44 anos, 25 deles trabalhando na Ceasa, relata nunca ter visto um movimento tão baixo. “Antes, gastávamos R$ 0,50 com uma caixa de madeira e a utilizávamos durante um ano. Agora, precisamos pagar R$ 0,28 diariamente cada vez que precisamos de uma caixa de plástico limpa”, reclama. Segundo ele, a situação, está levando compradores para Novo Hamburgo, Caxias do Sul ou até grande redes de supermercados. “Em 25 anos de Ceasa, nunca ouvi falar de alguém que morreu ao ser contaminado com as mercadorias que vendemos aqui”, argumenta Faleiro.
Nesta quinta-feira, os trabalhadores da Ceasa de Porto Alegre prometem realizar um protesto para pedir mudanças na direção do órgão. No domingo, ocorreu um incêndio nas dependências da estatal. A direção investiga a hipótese do fato ter relação com as reclamações de comerciantes. A direção da Ceasa ainda não se manifestou sobre o assunto.
Proibição de caixa de madeira na Ceasa poderá aumentar preços de produtos
Segundo vendedores, restrições encareceram produtos e favoreceram grandes redes de supermercados