No entanto, se a proposta apresentada for de acordo com a sugestão dos cerca de 50 comerciantes do local, ouvidos na manhã desta quinta-feira, é possível que a concorrência sequer seja realizada. Isso porque os locatários sugeriram um modelo baseado na autogestão, uma associação de comerciantes alternativa a uma administração central, para a gestão do condomínio da rodoviária.
Uma segunda possibilidade é a de que o terminal seja uma espécie de shopping, em que a venda de passagens, não seja a "atração" principal, num modelo parecido com o de Campinas. Uma terceira proposta é a de um complexo cultural, com cinema, teatro e salas de apresentações. O projeto final, no entanto, tem de passar pelo crivo do secretário de Infraestrutura, Beto Albuquerque, e do governador Tarso Genro.
O diretor de transportes rodoviários do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Saul Sastre, sustenta que é preciso ouvir todos os envolvidos, inclusive os mais interessados: os passageiros. Hoje, a atual administradora do prédio da rodoviária é a Veppo, que também é a concessionária da venda das passagens. O contrato referente ao condomínio está vencido desde 2002, conforme revelou reportagem da rádio Guaíba em abril. Ele foi prorrogado em 2003 pelo Conselho de Tráfego do Departamento, mas a decisão foi considerada nula pela Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage).
Já o serviço de venda das passagens, também a cargo da Veppo, está sendo investigado por supostas irregularidades. A possível falta de um contrato foi denunciada pela Comissão de Transportes da Câmara de Vereadores e é investigada pelo Ministério Público de Contas.