“A monocultura gera concentração da terra. A medida que as grandes empresas vão tomando o lugar dos trabalhadores rurais no campo, intensifica o êxodo rural. A medida que o estado deixa de produzir alimentos, nós temos que importar”, explicou uma representante do Movimento dos Trabalhadores Desempregados Cláudia Teixeira, que também participa do protesto.
O gerente de Relações Institucionais da Braskem, João Rui Freire, rebateu a justificativa dos manifestantes: “Nós somos compradores de etanol. Nós nunca vamos entrar nesse seguimento (de produção da cana-de-açúcar)”.
O grupo chegou em 20 ônibus, procedentes de várias regiões do Estado, especialmente de assentamentos em Nova Santa Rita. Oito policiais militares fazem a segurança, mas a manifestação é pacífica. A empresa fica a cerca de oito quilômetros da BR 386, mas a Polícia Rodoviária Federal não registrou problemas no trânsito da estrada em razão do protesto.
A Braskem produz anualmente 200 mil toneladas de polietileno de etanol de cana-de-açúcar. Lançado em julho de 2007, o polietileno verde foi o primeiro a ser feito 100% a partir de fontes renováveis no mundo, segundo a empresa. Em 2010, foi inaugurada a primeira planta de Eteno Verde e assumiu a liderança na produção de biopolímeros.
Passo Fundo
Em Passo Fundo, no Norte do Estado, outras 400 manifestantes da Via Campesina protestam contra o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras de feijão e trigo. Conforme uma das mulheres, Luci Piovesan, uma semana antes da colheita, está sendo pulverizado por aviões o herbicida glifosato, comercialmente conhecido como Roundap. O veneno utilizado para secar o feijão é absorvido pelas folhas e sementes e, segundo estudos da enfermeira e doutora pela PUC de São Paulo Mara Pagiani, causam câncer e depressão.
A manifestação é uma preparação para o dia das mulheres, em 8 de março. Neste ano, a Via Campesina discute a violência e a utilização de agrotóxicos na produção. À tarde, as mulheres pretendem fazer uma passeata pelo Centro de Passo Fundo.