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Prorrogado até 2026, polo de pedágio de Pelotas é alvo de ação judicial

Aditivo de 2000 faz concessão ter mais 13 anos, mas Setcergs aponta irregularidades

Pelo menos um polo de pedágio das rodovias federais gaúchas deve continuar em funcionamento após o próximo ano.  As cinco praças localizadas na região de Pelotas, administradas pela Ecosul, estão protegidas por um aditivo ao contrato original, assinado em 2000 entre empresa e Ministério dos Transportes, que prorrogou a concessão até 2026. Agora, o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do RS (Setcergs) busca na Justiça a nulidade da prorrogação. Uma ação civil pública foi ajuizada em março na Vara Federal de Pelotas.

Um dos argumentos é o baixo porcentual de investimentos da Ecosul na conservação das rodovias. No ano de 2011, este índice ficou em 6,6% da receita. A arrecadação totalizou R$ 135,8 milhões, com R$ 8,9 milhões aplicados nas estradas. Mas, de acordo com o sindicato, a irregularidade teve origem no momento em que foi assinado o termo aditivo.

O contrato para a concessão de rodovias à Ecosul foi assinado em 1998, pelo prazo de 15 anos. Segundo o advogado Fernando Antonio Zanella, assessor jurídico do sindicato, após a assinatura a empresa não cumpriu com suas obrigações contratuais, o que levou o Daer a lavrar um auto de infração em 1999. “Todas as outras (concessionárias) assinaram os contratos e passaram a cumprir com suas obrigações. A partir daí ela conseguiu firmar esse aditivo e recebeu um ‘prêmio’ pelo inadimplemento”, constata o advogado.

Conforme o advogado, um processo administrativo chegou a ser instaurado, em julho de 1999, pela Secretaria de Infraestrutura, em que foram apresentadas dez alternativas de aditamento do contrato original. “Técnicos do governo do Estado e do governo federal não permitiram essa ilegalidade porque não é possível licitar uma coisa e contratar outra. Isso fere os princípios mais elementares que regem os sistemas das licitações”, Zanella.

De acordo com a denúncia, o termo aditivo 001/00 aumentou o prazo de concessão até 4 de março de 2026 (12 anos, oito meses e dez dias além do contrato original), permitiu uma elevação na tarifa de 58,5% e aumentou a extensão das rodovias concedidas em 13,1%. Hoje as tarifas do polo de Pelotas variam de R$ 8,40 para automóveis até R$ 81,90 para caminhões com dez eixos. “Este polo é a única via de acesso ao Porto de Rio Grande. Isso está encarecendo o custo-Brasil”, protesta Zanella. De acordo com ele, este é um dos motivos que está levando produtores de maçã de Vacaria a exportar o seu produto via Porto de Itajaí (SC).

Fazem parte do Polo de Pelotas trechos das BRs 293 (Pelotas-Bagé), 116 (Jaguarão, Pelotas e Camaquã) e 392 (Santana da Boa Vista-Rio Grande), totalizando 623,4 km de extensão. “Somos contra este modelo de polos que sitia as cidades, aumentando os custos e atravancando o desenvolvimento das regiões em que eles estão. Na Metade Sul, infelizmente, temos exemplos claros disso e Pelotas é um deles”, afirma o deputado estadual Gilmar Sossella (PDT), relator da subcomissão dos pedágios na Assembleia Legislativa.

Procurada pela reportagem, a direção da Ecosul informou que não se manifestaria.



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