Enquanto que em uma ponta da avenida Edvaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre, militares se preparavam para desfilar, na outra ponta, centenas de pessoas ligadas a movimentos sociais e sindicatos faziam uma marcha em protesto ao governo do presidente Michel Temer. A 22ª edição do Grito dos Excluídos, realizada simultaneamente ao Desfile Cívico Militar, na manhã desta quarta, transcorreu sem transtornos, apesar de alguns momentos de tensão. Isso porque a marcha, iniciada em frente à sede do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (Incra), na avenida Loureiro da Silva, acabou quase se cruzando com a do desfile cívico militar.
A intenção dos organizadores do Grito dos Excluídos era seguir a caminhada pela avenida Beira-Rio. Porém, com a proximidade, uma tropa do Exército foi deslocada para bloquear a passagem, no cruzamento com a avenida Ipiranga. Não houve confrontos, mas o clima chegou a ficar tenso.
O carro de som do movimento permaneceu no local, onde eram feitos os discursos de lideranças que apoiavam o protesto, enquanto que os demais integrantes ocupavam o gramado ao lado do Anfiteatro Pôr do Sol. Além disso, os manifestantes, cerca de 1,5 mil, segundo os organizadores, gritavam em vários momentos frases como “fora Temer” e “é golpe”, em referência ao processo de impeachment de Dilmar Rousseff, que terminou na semana passada.
Um dos momentos mais simbólicos foi quando dois homens estenderam uma faixa com a foto de Dilma Rousseff com os dizeres “o teu sacrifício será a nossa bandeira de lutas. Fora Temer” diante do batalhão do Exército. O movimento deste ano teve uma participação mais expressiva em função da participação de integrantes do MST, que ocupam, desde a segunda-feira, os pátios das sedes do Incra e da Receita Federal.
Segundo o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Claudir Nespolo, a mobilização buscou ser uma frente contra o governo federal e as mudanças que preveem a retirada de direitos dos trabalhadores, com mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), terceirização e na previdência.
Responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC) da BM, o coronel Mário Ikeda afirmou que houve diálogo com os organizadores, com o objetivo de evitar possíveis transtornos. Após o final do desfile oficial, o grupo retornou à sede do Incra.
O Grito dos Excluídos é um movimento iniciado em 1995 motivado pelo tema da Campanha da Fraternidade daquele ano.
Protesto contra Temer ocorre junto com desfile em Porto Alegre
Grito dos Excluídos teve momentos de tensão