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Protesto contra Temer ocorre junto com desfile em Porto Alegre

Grito dos Excluídos teve momentos de tensão

Protesto contra Temer ocorre junto com desfile em Porto Alegre
Protesto contra Temer ocorre junto com desfile em Porto Alegre Foto : Samuel Maciel
Enquanto que em uma ponta da avenida Edvaldo Pereira Paiva, em Porto Alegre, militares se preparavam para desfilar, na outra ponta, centenas de pessoas ligadas a movimentos sociais e sindicatos faziam uma marcha em protesto ao governo do presidente Michel Temer. A 22ª edição do Grito dos Excluídos, realizada simultaneamente ao Desfile Cívico Militar, na manhã desta quarta, transcorreu sem transtornos, apesar de alguns momentos de tensão. Isso porque a marcha, iniciada em frente à sede do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (Incra), na avenida Loureiro da Silva, acabou quase se cruzando com a do desfile cívico militar.

A intenção dos organizadores do Grito dos Excluídos era seguir a caminhada pela avenida Beira-Rio. Porém, com a proximidade, uma tropa do Exército foi deslocada para bloquear a passagem, no cruzamento com a avenida Ipiranga. Não houve confrontos, mas o clima chegou a ficar tenso.

O carro de som do movimento permaneceu no local, onde eram feitos os discursos de lideranças que apoiavam o protesto, enquanto que os demais integrantes ocupavam o gramado ao lado do Anfiteatro Pôr do Sol. Além disso, os manifestantes, cerca de 1,5 mil, segundo os organizadores, gritavam em vários momentos frases como “fora Temer” e “é golpe”, em referência ao processo de impeachment de Dilmar Rousseff, que terminou na semana passada.

Um dos momentos mais simbólicos foi quando dois homens estenderam uma faixa com a foto de Dilma Rousseff com os dizeres “o teu sacrifício será a nossa bandeira de lutas. Fora Temer” diante do batalhão do Exército. O movimento deste ano teve uma participação mais expressiva em função da participação de integrantes do MST, que ocupam, desde a segunda-feira, os pátios das sedes do Incra e da Receita Federal.

Segundo o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Claudir Nespolo, a mobilização buscou ser uma frente contra o governo federal e as mudanças que preveem a retirada de direitos dos trabalhadores, com mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), terceirização e na previdência.

Responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC) da BM, o coronel Mário Ikeda afirmou que houve diálogo com os organizadores, com o objetivo de evitar possíveis transtornos. Após o final do desfile oficial, o grupo retornou à sede do Incra.

O Grito dos Excluídos é um movimento iniciado em 1995 motivado pelo tema da Campanha da Fraternidade daquele ano.