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Protesto em Porto Alegre tem discursos opostos

Em meio às críticas ao governo, manifestantes defenderam diferentes bandeiras

Em meio às críticas ao governo, manifestantes defenderam diferentes bandeiras
Em meio às críticas ao governo, manifestantes defenderam diferentes bandeiras Foto : Mauro Schaefer
Apesar de estarem todos contra o governo Dilma Rousseff, os discursos entre os milhares de participantes do protesto eram diversos e até conflitantes neste domingo em Porto Alegre. Enquanto uns apoiavam a derrubada da gestão, outros pediam a segurança da Democracia. Dois manifestantes chegaram a brigar e a Brigada Militar (BM) precisou intervir e retirar uma mulher da passarela do Parcão, que segurava uma cartaz pedindo a intervenção no governo. Um homem tentou retirar o papel e começou a discutir. Quem estava em volta gritava para ela sair. “Ela está errada. Está atrapalhando, porque não defendemos um golpe militar. Queremos um país melhor, independente de partidos”, disse a psicóloga Heleneuza Subbarck, 52 anos.

Para o economista, Luiz Carlos Schmidt Flores, 60 anos, o Brasil precisa de uma mudança total. “As instituições públicas estão servindo ao governo do PT”, salientou. A solução, segundo ele, é uma intervenção das forças armadas. “Não estamos falando de Ditadura. Seria uma intervenção de seis meses”, observou, dizendo que a Ditadura nunca existiu. “O que ocorreu foi para evitar um golpe comunista”, garantiu.

Por outro lado, no carro de som, os organizadores falavam: “Golpista é o governo. Nós defendemos a Democracia. O impeachment é uma medida democrática”. Mais ponderada, a estudante Brenda Canto, 15 anos, segurava uma placa para informar que não era de direita, nem de esquerda. “A gente vive num mundo dividido. Eu só quero lutar pelos meus direitos”, afirmou. A adolescente avalia que o governo federal precisa investir mais em educação.

“Os idosos estão nos corredores dos hospitais, enquanto os políticos estão andando de avião”, destacou o casal de comerciantes Carmen e José Martins, 46 e 49 anos. A passarela que liga as duas partes do Parcão estava cheia de manifestantes no início do protesto, até que a estrutura começou a balançar. Antes de as pessoas serem retiradas pela BM, a arquiteta Elizabeth da Silva e o engenheiro civil Rui Barbosa da Silva, 61 e 65, acompanhavam a movimentação na avenida Goethe de cima. “Eu quero voltar a ter orgulho do Brasil”, comentou ele, assegurando que a corrupção já existia antes do governo petista, mas avaliando que a situação está mais grave nos últimos anos.