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Protesto paralisa obras de penitenciária em Guaíba

Operários reivindicam melhores condições de trabalho

Trabalhadores interromperam atividades na manhã desta terça-feira
Trabalhadores interromperam atividades na manhã desta terça-feira Foto : Tarsila Pereira
Mais de cem operários das obras do Penitenciária de Guaíba fizeram uma manifestação por melhores condições de trabalho e aumento salarial na manhã desta terça-feira, na região Metropolitana. O grupo se reuniu por volta das 6h30min em frente à construção e impediu a entrada de carros.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre e Região (Sticc), os alojamentos dos funcionários são pequenos, os banheiros inadequados e a empresa responsável pelo empreendimento não estaria pagando horas extras em dia.

O gerente da obra, Gilberto Trindade, chegou ao local às 9h e se surpreendeu com a manifestação. Segundo ele, os trabalhadores não relataram problemas desde que assumiu o cargo em outubro. “Não vou me manifestar sobre as reivindicações”, falou. No meio da manhã, ele recebeu uma comissão de funcionários e disse a eles que iria entregar as propostas à empresa Portonovo Empreendimentos & Construções Ltda.

Os trabalhadores propuseram antecipação do dissídio, retroativo a janeiro, com reajuste de 6,5% aos operários e de 5% ao setor administrativo. De acordo com o sindicato, os pedreiros recebem salário de R$ 919, os serventes R$ 629 e os que ocupam cargo de meio oficial, R$ 741. “Consideramos os salários muito baixos e eles têm direito a reajuste anual”, alegou o diretor regional do sindicato em Guaíba e região, Vilmar Neves da Silva Júnior.

O sindicalista disse que, ao longo do ano passado, já foram apresentadas propostas, mas a empresa não deu resposta aos operários. Segundo ele, há 20 trabalhadores instalados nos alojamentos e os demais vivem em Guaíba ou arredores. “Os alojamentos são pequenos e muitos operários já viram cobra e escorpião dentro dos quartos”, afirmou.

O carpinteiro Dirnei D’Ávila Alves relatou que as acomodações têm dois por três metros e acomodam oito pessoas. “O lugar é horrível”, mencionou. Além disso, os funcionários reclamam de falta de atendimento médico e lugar adequado para armazenar as refeições. De acordo com eles, somente uma parte dos contratados recebe alimentação. “A comida fica azeda”, reclamou o servente Adão da Silva, que trabalha no local há cinco meses.

A Portonovo informou que não vai se manifestar sobre o assunto até analisar todas as demandas apresentadas pelos trabalhadores e conferir se há amparo legal para as reivindicações. O sindicato também negocia com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon/RS) a antecipação do dissídio.

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