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Protesto reúne cerca de 20 mil em caminhada pelas ruas centrais de Porto Alegre

Manifestantes saíram da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares

Protesto reúne cerca de 20 mil em caminhada pelas ruas centrais de Porto Alegre
Protesto reúne cerca de 20 mil em caminhada pelas ruas centrais de Porto Alegre Foto : Mauro Schaefer
O ato unificado da greve geral, organizado pelas principais centrais sindicais do Rio Grande do Sul, reuniu cerca de 20 mil manifestantes em caminhada da Esquina Democrática (Borges de Medeiros com a rua dos Andradas) até o Largo Zumbi dos Palmares (Epatur). Os manifestantes, que lutam contra a aprovação das reformas Trabalhista e da Previdência, iniciaram a marcha por volta das 13h30min, passaram pela avenida Júlio de Castilhos, ingressando no Túnel da Conceição, seguindo pela rua Sarmento Leite, Loureiro da Silva até finalizar no Largo da Epatur.

Durante todo o trajeto, os manifestantes pediam que o presidente Michel Temer deixasse o cargo. Também gritavam que o Brasil parou, por conta da greve geral nacional realizada durante esta sexta-feira. Bandeiras das centrais sindicais e faixas com dizeres contrários às reformas eram observados na manifestação. Após a caminhada, o grupo permaneceu mobilizado na esquina da avenida Loureiro da Silva com a rua José do Patrocínio até às 18h, quando começou um novo ato na Esquina Democrática, organizado pelo Movimento Autônomo.

De acordo com a professora e coordenadora da Intersindical RS - Central da Classe Trabalhadora, Neiva Lazzarotto, diversas capitais do País ficaram esvaziadas. “A greve superou as nossas expectativas. Ela honra a greve de 1917”, afirmou a sindicalista.

Segundo ela, o movimento realizado ontem só anima os demais setores. “Não estamos em condições de fazer uma greve por tempo indeterminado, mas conseguimos observar que grande parte da classe trabalhadora se levantou”, disse. Conforme Neiva, as novas centrais sindicais podem fazer novas convocações para dias nacionais de paralisações.

“Percebemos uma mudança na cabeça dos trabalhadores, que não acreditavam que fosse possível realizar um movimento tão grandioso”, destacou. Conforme Neiva, foi a maior greve geral do Brasil desde os anos 1980. “Hoje nós estamos marcando uma nova etapa da luta de classes no Brasi. A classe trabalhadora entendeu que está sendo atacada, que precisa e que pode reagir”, ressaltou a coordenadora.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Edegar Pretto (PT), participou do ato unificado promovido pelas centrais sindicais e disse que o Brasil parou.

“Trabalhadores de diversas categorias deram um grande grito de alerta no nosso País. No Rio Grande do Sul, de Norte a Sul, trabalhadores do campo e da cidade, cruzaram os braços e protestaram de várias formas”, afirmou Pretto. Conforme o deputado, a greve geral serviu como um grande grito de alerta para o presidente Michel Temer e “para os seus”. “O povo brasileiro, que leva esse Brasil nas costas, diz que a escravidão terminou, e não vão aceitar este retrocesso e retirada de direitos pacificamente, como eles estão imaginando. Nós estamos na luta’, ressaltou o presidente do parlamento gaúcho.

Até o final da tarde, nenhum ônibus ou trem circulou em Porto Alegre e na Região Metropolitana. A Trensurb informou que fez diversas tentativas, durante a manhã e a tarde de ontem, para retomar a operação dos trens, conforme a Justiça havia determinado (que pelo menos 50% dos trens circulassem nos horários de pico). Apesar das tentativas, manifestantes invadiam a vida e impossibilitavam a circulação dos trens. Por volta das 16h30min, a empresa informou que não havia condições para a operação dos trens por conta da greve geral.

O transporte ficou por conta das lotações, que carregavam passageiros em pé e, conforme autorizado pela EPTC, circulavam nos corredores de ônibus. Outra alternativa também foram os táxis e os aplicativos de transporte individual.

No Centro Histórico de Porto Alegre, o movimento era semelhante ao dos finais de semana: baixo. Poucas lojas funcionaram normalmente. Mesmo aquelas que abriram as portas, não contavam com muitos clientes. Os terminais de ônibus Parobé e da Praça Rui Barbosa (embaixo do PopCenter), ficaram completamente vazios no dia de ontem.

Durante a tarde as rodovias (federais e estaduais), foram liberadas pelos manifestantes. Além dos atos realizados em Porto Alegre, diversos estados do País e também o Distrito Federal registraram manifestações contrárias às reformas Trabalhista e da Previdência. Na próxima segunda-feira, dia 1º de maio, as centrais sindicais devem se concentrar no Monumento Expedicionário, no Parque Farroupilha (Redenção), a partir das 10h.