A caminhada dos trabalhadores ligados à extração de minerais começou nas imediações do Cais do Porto, na avenida Mauá, em direção à Assembleia Legislativa, onde os profissionais foram convidados a participar de um evento relativo ao Dia Internacional do Meio Ambiente. Os manifestantes devem ser recebidos por deputados estaduais das comissões de meio-ambiente e economia.
A categoria espera que a extração de areia seja liberada em áreas concedidas e autorizadas pelos órgãos reguladores. A manifestação causou problemas no trânsito na entrada da Capital, na alça de acesso da BR 116 até a BR 290, a freeway.
Empresas da região Metropolitana são afetadas
Entidades de classe estimam que 600 trabalhadores diretos estejam sendo prejudicados, além do dano generalizado em toda a cadeia produtiva pela falta de areia, o que inclui construção civil, indústria e transporte de carga. Segundo o presidente do Sindicato dos Depósitos Distribuidores e Comerciantes de Areia no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiareia-RS), Laércio Thadeu da Silva, cerca de 20 mil metros cúbicos deixaram de ser extraídos por dia. Ao menos 35 empresas da região Metropolitana são afetadas pela medida. “Queremos negociar uma solução com os três poderes”, disse.
O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviário e Afins (FNTTAA), Ricardo Leite Goulart Ponzi, salientou que a entidade é contra a extração ilegal e defende que a atividade realizada de forma regular seja permitida. “Queremos que o Legislativo interceda. A decisão judicial paralisou tudo. O Executivo deve fiscalizar e uma solução deve ser tomada urgentemente”, relatou.
Conforme Ponzi, o que é proibida é a retirada de areia do leito dos rios, o que causa problemas ao meio ambiente. “Quando é feita corretamente, no fundo dos rios, até ajuda a navegação”, explicou. Aquele que extrai a areia da margem, gasta menos para realizar o serviço e pode praticar preços mais baratos. “Também paga menos aos trabalhadores”, ressaltou.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais do Rio Grande do Sul (Sinflumar), Valdez Francisco de Oliveira, o principal prejudicado é o trabalhador. “Os empregados estão sem garantia de retorno às atividades. Essas pessoas só têm uma profissão, dependem disso”, destacou.
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental informou que estuda ação judicial. O presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Nilvo Alves da Silva, que assumiu o cargo na terça-feira, já havia informado que o órgão irá cumprir decisão judicial.
Servidores da Saúde pedem saída de secretário municipal
No começo da manhã, servidores se reuniram na frente da Secretaria Municipal de Saúde para exigir a saída de Carlos Casartelli. O grupo também quer a negociação da data-base dos profissionais. Segundo o diretor-geral do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, Mário Fernando da Silva, a saída do secretário serviria como uma espécie de reprimenda aos últimos atos à frente do órgão.
"Queremos demissão como ato político. O governo ofereceu uma proposta parcelada em 2013, com pagamentos em janeiro e maio. Se nós negociarmos a data-base de 2014 juntos, eles pagam de forma integral. Acredito que a forma de negociação precisa ser mais democrática", disse Silva.
A campanha pedindo a saída de Casartelli foi aprovada em Assembleia nessa terça-feira, depois que o secretário determinou o corte do adicional de insalubridade de servidores, mesmo com a decisão do governo de anular a medida. Além disso, os profissionais da saúde discordam da política implementada na secretaria, que inclui terceirizações e a criação do instituto municipal de estratégia de saúde da família.