André Juliano e Cátia Portela vivem dias de angústia. Eles doaram a cachorrinha Wendy a uma família, mas descobriram que ela foi abandonada. Agora, eles tentam descobrir o paradeiro dela. Em julho do ano passado, os dois, que moram em um sítio no Lami, encontraram os filhotes largados à beira da estrada. Eram seis cãezinhos, um havia sido morto atropelado. O casal resolveu acolhê-los. Levaram para a casa, onde já moram oito cães e 16 gatos - todos com tristes históricos de abandono ou de maus tratos.
“Tratamos os filhotes e conseguimos doar todos, com o compromisso de que os castraríamos. Quando procuramos os novos donos, descobrimos que a Wendy tinha sido colocada dentro de um carro e largada em algum lugar”, disse André. “Avisamos que, caso se arrependessem, poderiam ter nos devolvido”, completou Cátia. O casal sabe que Wendy, uma cadela cor caramelo, de porte médio e que tem em torno de sete meses, foi abandonada no bairro Itú-Sabará e a busca ocorre nos bairros vizinhos. Além dos cartazes, André usa as redes sociais e até um blog em busca do paradeiro de Wendy.
Trabalho extra em troca de ração
Próximo de onde a cachorra foi abandonada, na Vila Jardim, vive a diarista Ivone Tonkiel, de 48 anos. Ela também é uma legítima protetora dos animais. Ivone tem 15 cães, mas “só dez” são dela. “Os outros vão aparecendo. Ou as pessoas me trazem ou abandonam no meu pátio”, diz ela. Para se sustentar e mais à tropa de amigos de quatro patas, Ivone não mede esforços. “Trabalho até domingo para dar o que comer a eles."
Duas vezes na semana, ela faz “bico” em uma pet shop, aonde é paga com ração canina. “Vou deixando a ração no caminho pros cachorros da rua. Quando chego em casa, já não tem mais nada."
Amigas unidas pela bicharada
Nagiara Almeida e Sirlei Peres são amigas e amam os animais. Por isso, uma ajuda a outra na hora de socorrer os bichanos. Em casa, Sirlei tem quase 40 cães. E se mantém com um salário mínimo. “O amor pelos animais fala mais alto”, diz Sirlei. Apesar da superlotação, ela não resiste quando vê um bicho sofrendo na rua. É aí que entra Nagiara, que acaba hospedando alguns desses animais até que eles encontrem um novo lar.
Neste momento, ela hospeda uma linda vira-lata branca de olhos amendoados, a quem Nagiara chama de Luna. A cadela passou por uma cirurgia para retirada do útero. Ela estava prenha e foi atropelada. Os filhotes, mortos no ventre.
A luta por quem é apaixonado por bichos é diária e nem sempre acaba em final feliz. “Às vezes, a gente acaba recolhendo o bicho da rua, só para que tenha uma morte digna”, lamentam Cátia e André. Mais do que amor, a causa animal é movida pelo respeito incondicional à vida.