O PSol vai ingressar ainda nesta semana com uma ação na Justiça para tentar barrar o aumento das passagens de ônibus de Porto Alegre. O anúncio foi feito pelos dirigentes do partido em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira. O relatório do Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu) foi aprovado nessa manhã. A tarifa no valor de R$ 4,05 depende da sanção do prefeito Nelson Marchezan, que deve tomar a decisão até sexta-feira.
"Nós vamos estudar de que forma reagir no campo jurídico a esse ataque que estamos sofrendo de forma a exigir que a prefeitura cobre dos empresários o que eles estão devendo aos cofres públicos e, ao mesmo tempo, nossa bancada está preparando uma nova ação para discutir o novo aumento", informou a dirigente nacional do PSol, Luciana Genro. "Nós não concordamos que esse aumento seja legítimo", declarou. O partido sustenta que o aumento chegou a um percentual de 8%, o que seria ilegal, conforme planilha tarifária, que indicava reajuste na casa de 6%.
"Estamos muito preocupados em ver a prefeitura defendendo os interesses das empresas. Não é a primeira vez que acontece. A prefeitura ao invés de cobrar dos empresários o que eles estão devendo aos cofres públicos desde 2013, ela (prefeitura) nos chama a lide, acusando o PSol de ser responsável pelos prejuízos das empresas", argumentou Luciana.
A Prefeitura de Porto Alegre entrou na Justiça para que cinco lideranças do PSol – Luciana Genro, Pedro Ruas, Fernanda Melchiona, Roberto Robaina e Alex Fraga – arquem com o prejuízo de cerca de R$ 5 milhões que teria sido causado às empresas de ônibus no ano passado. Em 2016, devido a uma ação do partido, as empresas responsáveis pelo transporte público não puderam cobrar por 33 dias o valor da tarifa do transporte coletivo de R$ 3.75, decretado na licitação. À época, o valor seguiu R$ 3.25.
Luciana Genro diz que qualquer intimidação ao Psol "será o mesmo que intimidar a população porto-alegrense" @correio_dopovo @RdGuaibaOficial pic.twitter.com/0Nd7mSFz4z — Guilherme Testa (@PhotoTesta) 28 de março de 2017
Nessa manhã, ocorreu uma manifestação contra o aumento da tarifa em Porto Alegre. O grupo iniciou caminhada na avenida João Pessoa, no sentido bairro-Centro, e bloqueou o Túnel da Conceição. Pouco depois das 11h, o protesto chegou à avenida Mauá, onde um novo bloqueio ocorreu. Nesse trecho, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Brigada Militar (BM) negociaram a liberação da faixa da direita, para que o trânsito de veículos fosse liberado.
A mobilização chegou ao Paço Municipal e os manifestantes fizeram um ato na região Central de Porto Alegre. Durante a caminhada, os integrantes do protesto gritaram a frase: "Se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar".