No bairro Navegantes, a rua Rio Grande ainda está submersa e um caminhão do Exército segue resgatando pessoas ilhadas. Em cada viagem é possível transportar cerca de 40 moradores. O dono de um mercadinho, Jaime Correa, 58 anos, lamentou o prejuízo. Segundo ele, não sobrou nada, nem as mercadorias, avaliadas em R$ 2 mil, nem os equipamentos de refrigeração.
A cuidadora Loredi Pires da Luz, 65, mora em um condomínio que ficou ilhado no bairro Navegantes. Ela precisou dormir fora de casa e a filha não conseguiu sair. O Exército estava com cinco caminhões na cidade fazendo resgates, além de segurança aos desabrigados.
O soldado Felipe Gomes do 34º Batalhão de Polícia Militar (BPM) afirmou, contudo, que não houve registro de invasões nem furtos, enquanto os moradores deixavam as casas. “Felizmente, o pessoal está se preocupando
mais em ajudar”, disse.
Um dos locais que está abrigando famílias é a Escola Municipal Eva Karnal Johann. As salas de aula comportavam os flagelados no lugar dos alunos, que tiveram o dia letivo suspenso. Cerca de 90 pessoas dormiram no prédio,
segundo a diretora Margot Rahde. “Essas pessoas são da comunidade e temos que recebê-las, dar um apoio. Estamos servindo as três refeições”, comentou. Em um dos espaços, estava a família da doméstica Salete dos
Santos, 51 anos. A residência onde mora, no bairro Vila Nova, foi tomado pela água.
A dona de casa Carina Alves, 26, levou os quatro filhos, com idades entre 3 e 10 anos, para a escola. As crianças são alunas da instituição. “Saímos com a água na cintura. Não conseguimos salvar nada, só as nossas vidas que
é o mais importante. O resto, corremos atrás”, observou.