Inicialmente, o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) deve interromper o abastecimento durante cinco horas por dia, das 9h às 14h. O prefeito alertou que o racionamento será estendido a um período maior por dia caso o nível do rio continue diminuindo. Se o Sinos chegar a 1,2m de profundidade, a suspensão será de oito horas por dia e, se chegar a 1,1m, a interrupção chegará a dez horas por dia.
O racionamento havia sido suspenso na cidade em 14 de janeiro, quando o rio dos Sinos se recuperou e chegou a 2,7 metros. Para evitar a medida, a prefeitura decretou o uso racional da água. Desde novembro do ano passado, quem desperdiçar água pode ser multado.
Em Novo Hamburgo, na Comusa – Serviços de Água e Esgoto, onde na sexta a medida era 3,42m acima da bomba de captação, ontem já estava em 1,75m – redução de 1,67m. A autarquia hamburguense ainda não decidiu voltar a racionar.
O prefeito Ary Vanazzi diz que a retomada do racionamento está condicionada à queda do nível do rio a 1,4 m, mas a tendência é de que isso ocorra ainda nesta terça-feira. “Pela quantidade de água retirada pelos arrozeiros, temos certeza de que o rio vai baixar”, argumenta.
O corte no abastecimento será, inicialmente, de cinco horas, entre 9h e 14h, conforme rodízio entre as cinco zonas do plano anterior, suspenso no dia 15 de janeiro. A primeira a ficar sem água, na quarta-feira, seria a Zona A: bairros Scharlau, Jardim Viaduto, Jardim Fênix, Santos Dumont, Parque Sinuelo, Bom Fim, Bráz, Vila Elza, Berger, Brasília, Glória, Três Marias, Vila União, Parque Itapema, Parque Panorama, Hohendorff, Santa Helena e Santo Augusto.
O Semae estabeleceu outros dois parâmetros para ampliar o horário de racionamento ao longo do dia. Caso o Sinos baixe a 1,2m, o corte no abastecimento será aplicado durante oito horas. Com o nível em 1m, chegará a 10 horas. O que poderia evitar a medida mais radical é uma chuva significativa.
Os prognósticos da MestSul Meteorologia, no entanto, apontam para dias de muito calor na Região Metropolitana. Uma massa de ar quente seguirá atuando pelo menos até sexta-feira e os termômetros podem chegar aos 40°C a partir de hoje. Alexandre Aguiar, da MetSul, prevê que a chuva chegue ao Estado sábado e se mantenha na semana que vem. A boa notícia é que o volume da precipitação poderá ser grande.
Ação contra arrozeiros
O município de São Leopoldo trabalha na elaboração de uma ação civil pública visando a proibição da captação de água do Sinos para a irrigação das lavouras de arroz da região que deve ser entregue ao Tribunal de Justiça na próxima segunda-feira, antecipa Ary Vanazzi. “Só não entregamos ainda porque a situação tinha melhorado”, justifica.
Conforme acordado no Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Comitesinos), os arrozeiros ficam impedidos de captar livremente apenas quando o nível baixa a 80 centímetros da bomba da Corsan, em Campo Bom, 72 cm na Comusa e 60 cm no Semae.
Na semana passada, o diretor-executivo do Consórcio Pró-Sinos, Julio Dorneles, dizia ao Correio do Povo que o manancial poderia voltar ao nível crítico antes do fim do mês. A discussão entre Pró-Sinos, que representa os municípios da região e é presidido pelo prefeito leopoldense, e produtores de arroz estende-se desde o início do período de chuva escassa, em novembro. “A retirada de água é assustadora. Precisamos aprovar um plano de bacia no Comitesinos, com critérios que garantam o abastecimento”, defende Vanazzi. Os arrozeiros dizem que as operadoras de água devem aumentar suas capacidades de reservação.
O racionamento havia sido suspenso na cidade em 14 de janeiro, quando o rio dos Sinos se recuperou e chegou a 2,7 metros. Para evitar a medida, a prefeitura decretou o uso racional da água. Desde novembro do ano passado, quem desperdiçar água pode ser multado.