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Raio-x dos bombeiros: Canoas tem uma das melhores estruturas do RS

Já em Novo Hamburgo e São Leopoldo faltam combatentes

Corporação de NH atende a 13 cidades do vale do Caí e do Taquari
Corporação de NH atende a 13 cidades do vale do Caí e do Taquari Foto : Stephany Sander / Especial / CP
Em relação a outras cidades gaúchas, as unidades da região Metropolitana estão mais privilegiadas quanto à estrutura do Corpo de Bombeiro. Esta é a abordagem de hoje, último dia da série de reportagens que apresentou a situação da corporação no Rio Grande do Sul. É possível que a situação de Canoas seja uma das melhores do Estado. Com um batalhão no bairro Nossa Senhora das Graças e uma Seção de Combate a Incêndio no bairro Mathias Velho, ambos em pleno funcionamento, a cidade elabora projeto para a construção de um terceiro posto, no bairro Guajuviras.

O projeto, em parceria com a prefeitura, já está em andamento e a idealização deve ocorrer em até 12 meses. Responsável pelo 8 Comando Regional do Corpo de Bombeiros (8 CRB), o major Carlos Daniel Schultz Coelho diz que a corporação está muito bem assistida, com quatro caminhões em condições de uso e mais dois que retornaram do conserto na quarta-feira passada. Ele observa que, apesar de serem caminhões antigos - um deles fabricado em 1982 -, todos estão com a manutenção em dia e em plenas condições de uso, inclusive atuando no apoio a outras cidades da região. Apenas um destes veículos possui escada mecânica e o equipamento está estragado. "Porém, em breve, já estará funcionando, pois estamos orçando o conserto", diz.

Recentemente, foram adquiridos dez conjuntos de proteção respiratória, compostos de máscara e cilindro de oxigênio, e mais 80 kits com equipamentos de proteção contra incêndio, com capas, calças e botas, em número suficiente para renovar o uniforme de combate de toda a equipe. Foi realizado um pregão de R$ 50 mil para manutenção de uma viatura. "Aos poucos e com o auxílio do município estamos melhorando nossas tecnologias e renovando nossos equipamentos. O importante é trabalhar e cuidar do que temos, realizando sempre as manutenções e garantindo o funcionamento de tudo, bem como a segurança dos nossos bombeiros", diz Coelho.

'Neste mês ocorreu um pregão para a compra de mais dois caminhões de combate. E, junto com a prefeitura, existe a intenção de realizar um pregão eletrônico para aquisição de quatro carros de apoio, para atuarem nas inspeções e vistorias', explica Coelho.

Ação do MP manda consertar veículo

Em Montenegro, o Ministério Público precisou ajuizar uma ação civil pública determinando o conserto de um dos caminhões dos bombeiros da cidade. A administração municipal foi intimada a cumprir a decisão do Conselho Diretor do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom) e providenciar o conserto em um prazo de 60 dias. A viatura em questão - um autobomba-tanque - estava sem condições de uso há mais de um ano, após tombar durante atendimento a uma ocorrência, em 26 de junho de 2012.

A ação tramita na 1 Vara Cível, mas não há uma data para a decisão judicial. O promotor Thomás Colletto acrescenta que, ocorrendo deferimento do pedido pela Justiça e o prazo não sendo cumprido, deve ser feito bloqueio de valores e aplicada multa diária e pessoal de R$ 500,00 ao prefeito Paulo Azeredo. Ele esclarece que o prazo máximo de 60 dias tem por base informação do comandante da Seção de Combate e Incêndios de Montenegro, tenente-coronel Jorge Soares, de que seria o tempo suficiente para proceder o conserto da viatura. O reparo deve ocorre através de licitação.

De acordo com Soares, o Corpo de Bombeiros de Montenegro atende 13 municípios. Com o veículo inutilizado, não é possível comparecer a mais de uma ocorrência. 'Havendo dois incêndios simultaneamente, não há como combater um deles', enfatiza. O conserto do caminhão foi aprovado pelo Conselho Diretor do Funrebom em assembleia realizada no dia 28 de fevereiro, e cabe ao prefeito executar o que é decidido. Os municípios atendidos pela corporação são: Barão, Brochier, Harmonia, Maratá, Montenegro, Pareci Novo, Salvador do Sul, São José do Sul, São Pedro da Serra, Tabaí, Taquari, Triunfo e Tupandi.

Falta pessoal

A maior dificuldade enfrentada pelas corporações de Novo Hamburgo e São Leopoldo é a carência de profissionais de combate ao fogo. A compra de equipamentos também não é fácil. Conforme o responsável pelo 2 Comando Regional dos Bombeiros (2 CRB), tenente-coronel Vitor Hugo Konarzewiski, mesmo com a chegada de 86 novos bombeiros, formados em abril deste ano e distribuídos em 11 quartéis no Sinos, Caí e Paranhana, as corporações ainda não chegaram ao ideal de efetivo.

"Enfrentamos nas guarnições uma defasagem de cerca de 36%, mesmo com os novos bombeiros", afirma Konarzewiski. Segundo ele, nos últimos 30 anos nunca houve um repasse de profissionais tão grande. Já no que diz respeito a investimentos, as cidades deixam a desejar.

Conforme o major Kléber Valinodo Pereira, Novo Hamburgo possui oito veículos em bom estado. São três caminhões autobomba, com capacidade para 5 mil litros de água, dois veículos autotanque, um caminhão com escada mecânica (vindo da Alemanha em 2010), uma jamanta, um veículo de busca e resgate, e quatro veículos de passeio para atividades administrativas. "São veículos velhos, mas bons. Um caminhão-tanque é do ano de 1979. O importante é que, se estragam, vão imediatamente para o conserto", explica. Conforme o major, o que preocupa é a constante necessidade de emprestá-los para outras cidades. "Estamos unindo esforços para conseguir caminhões novos para Portão, Campo Bom e Estância Velha, municípios onde geralmente precisamos dar auxílio", afirma.

PEC desvincula bombeiros da BM

Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) visando à desvinculação do Corpo de Bombeiros da BM foi protocolada ontem na Assembleia Legislativa gaúcha. De autoria do deputado Pedro Pereira, a PEC já havia sido protocolada na semana passada. Contudo, o propósito era a desmilitarização dos bombeiros. Como a corporação é contrária a essa decisão, e esse pleito foi levado ao deputado, a nova proposta foi concebida com apoio dos próprios bombeiros e prioriza só a autonomia administrativa e financeira da instituição.

A expectativa dos bombeiros é de que a desvinculação do Corpo de Bombeiros da Brigada proporcione mudanças necessárias para o aperfeiçoamento da carreira dos soldados, além de um volume maior de investimentos em equipamentos e infraestrutura. Segundo o deputado, a mudança no texto da PEC foi necessária para responder a uma demanda da corporação, conforme vem sendo solicitada, inclusive em matéria especial do Correio do Povo. "Os bombeiros não querem perder seu caráter militar. Lutam pela sua autonomia de gestão", enfatizou. O deputado conseguiu 27 assinaturas para tramitação da matéria, que precisa de 33 votos para aprovação.

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