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Redes de pesca mataram 49 surfistas no Estado desde 1986

Federação diz que RS é o único lugar do mundo a registrar esse tipo de ocorrência

A morte de Tiago Rufatto, sepultado nesta tarde em Canoas, elevou para 49 o número de surfistas mortos ao se enroscarem em redes de pesca no litoral do Rio Grande do Sul desde 1986. A média é de praticamente dois óbitos por ano. De acordo com a Federação Gaúcha de Surf, o Estado é o único lugar do mundo a registrar esse tipo de ocorrência.

Um dos fatores que explica a indicência de casos é a geografia da costa gaúcha, segundo a assessoria de imprensa da federação. O Rio Grande do Sul tem um litoral extenso e sem baías, contribuindo para a ocorrência de correntes. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) revelou que, ao entrar no mar que banha o Estado, uma pessoa que se deixa levar pela correnteza percorre mais de dois quilômetros e meio em apenas 18 minutos. No Rio Grande do Sul, as áreas destinadas à pesca e surfe têm apenas 400 metros de extensão cada, com base em uma lei aprovada em 1988. Com a força da corrente, surfistas e pescadores acabam invadindo os espaços uns dos outros.

Na Assembleia Legislativa do Estado, segue tramitando um projeto de lei aumentando as áreas de pesca e surfe para 2,1 mil metros e criando um espaço de escape de 500 metros entre uma área e outra. Segundo a assessoria de imprensa da Federação Gaúcha de Surfe, o projeto também prevê a instalação de postes altos nas praias com identificação das áreas por cores: verde para surfe, vermelho para pesca e amarelo para escape.

Conforme a federação, pescadores de fim de semana costumam desrespeitar a área destinada ao surfe. A assessoria de imprensa confirmou ainda que, mesmo sem projeto aprovado, é obrigação das prefeituras dos balneários manter a sinalização.

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