Traçando um comparativo, no total da população brasileira, apenas 29% classificam o transporte como bom ou muito bom, enquanto que grande parte (39%) avalia os serviços como ruim ou muito ruim. Pouco mais de 31% analisaram o transporte público como regular no Brasil.
"Este estudo serve para chamar a atenção para a inadequação desse modelo", disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, referindo-se à priorização do transporte individual em detrimento do transporte coletivo. "Há espaço para o avanço das políticas públicas."
Na região Sudeste se encontram as opiniões mais negativas: apenas 24,5% veem o serviço como bom ou muito bom e 45,9% o consideram ruim ou muito ruim. O levantamento mostra também que uma em cada quatro (26,3%) pessoas no País vive em cidades em que não há integração entre meios de transporte. Não usam a integração, apesar de ela existir, 27,5%.
O estudo aponta que, quanto mais escolarizada é a pessoa, mais crítica ela se torna em relação ao transporte público. Ele é bom ou muito bom para 34,9% das pessoas com até a quarta série do ensino fundamental - 22,5% o acham ruim ou muito ruim. Já para quem tem ensino superior incompleto, completo ou pós-graduação, 20,1% o consideram bom ou muito bom e 36,9% o acham ruim ou muito ruim.
A pesquisa do Ipea ouviu 2.770 pessoas em todos os Estados do País e utilizou a técnica de amostragem por cotas, a fim de garantir proporcionalidade no que diz respeito à população. A margem de erro por região é de 5%.
Congestionamentos e crescimento da frota
Segundo a pesquisa, 66,6% da população brasileira convivem com congestionamentos pelo menos uma vez por mês. Deste total, 20,5% enfrentam lentidão mais de uma vez por dia. Esse dado encontra respaldo quando se analisa o aumento da frota de veículos. A região Sul tem índice de congestionamentos um pouco superior, com 21,9% das pessoas encarando mais de um engarrafamento diário.
O levantamento mostra que no Brasil, de 2000 a 2010, a frota de veículos cresceu 90,9% a mais que a população - só as motocicletas apresentaram um aumento de 242,2%. No ano 2000 havia um carro para 8,5 pessoas. No ano passado, o dado apontava um automóvel para 5,2 pessoas.