Os recorrentes casos de agressões a imigrantes, especialmente senegaleses e haitianos no Rio Grande do Sul têm gerado preocupação das autoridades. O maior receio é de que esses casos aumentem. Para propor medidas efetivas para coibir essas situações, representantes de imigrantes e de entidades se reuniram, na manhã desta quarta-feira, na Assembleia Legislativa para debater o assunto. O encontro integrou as atividades da Frente Parlamentar de Acompanhamento e Solidariedade aos Imigrantes e Refugiados do RS.
Em posse de um dossiê com reportagens sobre casos de agressão e ocorrências envolvendo imigrantes, o presidente da Frente, Nelsinho Metalúrgico, demonstrou preocupação com o assunto. “Podem parecer casos esporádicos, mas que podem tomar uma envergadura, ainda mais neste momento de restrições econômicas e de país”, enfatizou ele. Entre os casos de destaque para os casos em Novo Hamburgo e Esteio, onde imigrantes tiveram apreendidos produtos que comercializavam nas ruas. Presente na sessão, o presidente da Associação de Senegaleses do Vale dos Sinos, Mbengue Massamba, ressaltou que o comércio de rua é uma maneira encontrada para eles sobreviverem. “Sofremos preconceito, como quando estamos numa reunião em que não falam nosso dialeto. Queremos ajudar a cidade que estamos vivendo. Não é um crime”, afirmou.
Nesta mesma linha, o representante da Associação dos Haitianos no Rio Grande do Sul, Presnor Joseph, contou a discriminação que sofreu ao buscar, com os documentos, uma vaga de trabalho, foi discriminado. “Me perguntaram se era haitiano e daí disseram que só tinham vaga de limpeza geral, mas nem sabem a minha capacidade”, lamentou. Outra crítica é em relação ao alto custo de vida, como pagamento de aluguel. “Estou aqui há mais de três anos e só quero trabalhar para ajudar minha família no Haiti”, comentou.
Durante o encontro, foram encaminhadas algumas medidas sobre o assunto. Uma delas foi o envio das denúncias à Defensoria Pública do Estado e ao Ministério Público Federal, para que adotem formalmente as medidas cabíveis. No sentido de que elas não voltem a se repetir.
Outro encaminhamento é uma palestra com o Demhab sobre a possibilidade de formação de cooperativas habitacionais entre os imigrantes. A medida evitaria que eles tivessem que pagar elevados valores de aluguel para morar. Além disso, no dia 11 de agosto, às 10h, está prevista uma audiência pública para tratar do marco regulatório da Migração, que foi sancionado em maio pelo presidente Michel Temer.
Representante se reúnem para debater agressão contra imigrantes no Rio Grande do Sul
Possível aumento do número de casos, especialmente contra senegaleses e haitianos, preocupa autoridades