A proposta que tramita na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, destinando 5% do espaço reservado a automóveis na Área Azul para estacionamento gratuito de bicicleta é considerada exagero pela Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC). Segundo o órgão, não há demanda para tanto. A Capital soma atualmente 4,7 mil vagas de estacionamento rotativo. Pelo projeto, com isso, 235 devem ser destinadas gratuitamente a ciclistas, o suficiente para que 1,4 mil bicicletas estacionem.
Com base na arrecadação mensal de R$ 700 mil da Área Azul, abrir mão de 5% das vagas representa R$ 35 mil a menos para o poder público. Do restante, R$ 665 mil, o projeto sugere que 20%, ou mais R$ 133 mil, sejam destinados à construção e manutenção de paraciclos e promoção de ações educativas do trânsito. Com isso, o impacto mensal do projeto do vereador Marcelo Sgarbossa (PT), é estimado em R$ 168 mil.
O objetivo principal, de acordo com o vereador, é incentivar o uso da bicicleta, considerado saudável e não-poluente. Para o diretor presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, não há necessidade de vagas na Área Azul porque a Prefeitura passou a instalar em prédios públicos, por exemplo, locais para deixar a bicicleta.
Cappellari disse, porém, que a discussão pode ocorrer em outro momento, se houver demanda para o número de vagas proposto. Sgarbossa, por outro lado, garante que a falta de vagas leva ciclistas a prenderem as bicicletas em árvores, postes e paradas de ônibus, o que dificulta a circulação de pedestres e gera denúncias e reclamações.
Reserva de vagas para ciclistas em Área Azul é exagero, sustenta EPTC
Órgão estima que impacto seja de R$ 168 mil a menos por mês em arrecadação