O dia de hoje em pelo menos três praias do Litoral Norte foi reservado para limpeza e avaliação dos prejuízos. A ressaca da madrugada de quinta para sexta-feira destruiu cerca de 21 quiosques, a maioria instalada na areia. Somente em Capão da Canoa, foram 14 estabelecimentos comerciais avariados, alguns totalmente demolidos pela força das águas. Em Tramandaí, o mar também causou estragos tanto na calçada como na areia. Em Atlântida Sul, um dos quiosques foi atingido pelo mar e os destroços ficaram espalhados pela praia, assim como em Capão e Tramandaí.
Nesta tarde, apesar do sol e da temperatura de 25ºC, o mar ainda continua revolto, com poucos banhistas se aventurando na orla. A grande maioria está nos quiosques da calçada, que aos poucos estão reabrindo, ou em locais longe da areia. Até mesmo as guaritas estão no meio da água, que invadiu a costa, forçando os salva-vidas a irem para locais mais altos.
O comerciante Antônio Vichinheski talvez seja o maior símbolo dessa ressaca. O quiosque de sua propriedade, situado na areia, logo após o fim do calçadão de Capão da Canoa, ficou totalmente destruído. Na manhã de hoje, Vichinheski, com a ajuda de parentes, recolheu as partes de madeira de seu estabelecimento, além de objetos como freezer e geladeira, que conseguiu resgatar ainda inteiros. Ele recorda que a água subiu e levou o teto e o piso do local, ficando apenas as paredes laterais, precariamente equilibradas. A solução será reconstruir o seu negócio. “Ano que vem estarei no mesmo local”, garante ele. “Estou nesse ponto há 11 anos e não vai ser agora que vou sair daqui”, afirma, confessando que durante este tempo nunca viu nada igual a ressada da madrugada passada.
Segundo o proprietário do quiosque 2, no calçadão de Capão da Canoa, Agedir Gomes, a maré começou a subir por volta de meia-noite. A água teria recuado e depois voltado e, em seguida, recuado de novo, até que na terceira vez inundou o calçadão. Gomes ressalta ter tido muita sorte, pois o seu estabelecimento não foi muito afetado. “Tive sorte, pois não fui muito afetado”, explica Gomes. “Nunca vi nada igual em minha vida, parecia uma espécie de tsunami, levou tudo o que viu pela frente.”
Sede do IGP durante o verão foi inundada
A construção onde funciona o Instituto-Geral de Perícias (IGP), durante a Operação Verão, também em Capão da Canoa, foi inundada. No entanto, o serviço não foi prejudicado. No início da tarde, a confecção de carteiras de identidade recomeçou. De acordo com a fotógrafa criminalista Maria de Fátima Abreu, o material de informática foi salvo. Ela lembra que por volta da meia-noite a água subiu, chegando até a porta da cabana. Em seguida, houve um recuo do mar. Os funcionários aproveitaram para colocar tudo em cima das mesas. Por volta das 3h, o local ficou alagado. “Percebemos isso e quando ainda não havia alagamento, tratamos de colocar o material que usamos aqui, em cima das mesas”, conta Maria de Fátima. “Foi algo muito estranho e assustador ao mesmo tempo”.
Em Tramandaí, também é hora de reconstrução. Até o início da tarde de sexta-feira, os funcionários de alguns quiosques e bares localizados na calçada faziam reparos e, principalmente, tiravam a areia acumulada, utilizando pás e baldes.
Ressaca na madrugada destruiu cerca de 21 quiosques no Litoral Norte
Mar continuou revolto nesta sexta-feira, com poucos banhistas na orla