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Reunião entre prefeitura e Simpa termina sem acordo

Municipários mantêm pedido de 18%, descartado pelo prefeito José Fortunati

A reunião da direção do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e o Comitê de Política Salarial da Prefeitura, realizada na tarde desta segunda-feira, terminou sem acordo. A diretora geral do Simpa, Carmem Padilha, afirmou que os municipários insistem no avanço da negociação do índice de reajuste proposto pelo governo de 6,51%. “A prefeitura formalizou a proposta de aumentar o básico das categorias 2 e 3, em 9,95%. São cerca de 3 mil servidores cujo básico é inferior ao salário mínimo. Mas isto só não é suficiente”, afirmou Carmem. Os 17 mil municíparios ativos reivindicam reajuste salarial de 18%, sendo 11,49% para recuperação de perdas, e itens relacionados à melhoria das condições de trabalho e valorização, incluindo a elevação do vale-alimentação de R$ 12,00 para R$ 18,00.

O secretário municipal de Coordenação Política e Governança Local, Cezar Busatto, descreveu a reunião como “tensa e difícil”. Ele propôs uma nova reunião na manhã desta terça-feira, horas antes da assembleia da categoria, marcada para as 14h no Centro de Eventos do Parque da Harmonia. Segundo Busatto, a prefeitura está avançando em todos os outros itens da pauta de reivindicações. “Não há espaço para aumentar o índice de reajuste proposto”, afirmou ele.

A nova rodada de negociações ocorreu durante o primeiro dia de greve dos municipários, concentrados no Paço Municipal desde as 9h. No início da tarde, cerca de 500 servidores realizaram uma caminhada pelas ruas do Centro e um ato em frente o posto de saúde Santa Marta. De lá, os manifestantes retornaram ao Paço para a reunião com a prefeitura.

De acordo com balanço do Simpa, 70% da categoria aderiu à greve. Os setores mais atingidos foram Educação (90% das escolas da rede municipal fechadas) e a Saúde (onde foram mantidos o efetivo de 30% exigidos por lei). O Simpa também constatou que trabalhadores da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Fasc, Departamento Municipal de Habitação, DMLU e Dmae aderiram à paralisação parcialmente.

A prefeitura minimiza os números do sindicato e diz que os serviços essenciais funcionaram em toda a cidade. “O maior prejuízo foi para a educação e os alunos da rede municipal de ensino”, reconheceu Busatto. No entanto, ele frisou que todos os postos de saúde abriram suas portas e os serviços no Dmae, no DMLU e na Carris foram prestados de forma normal à população.

No início da tarde, em entrevista ao programa Balanço Geral, da Record, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, afirmou que para atender às reivindicações dos municipários, a prefeitura de Porto Alegre teria de cortar uma série de serviços essenciais à população. Ele explicou que o impacto do reajuste na folha de pagamento seria de R$ 288 milhões – R$ 250 milhões em aumento de salários e R$ 38 milhões da diferença nos vales-refeição (de R$ 12,00 para R$ 18,00). "Vamos gastar neste ano R$ 260 milhões com o Orçamento Participativo (OP), para atender às demandas de toda a comunidade, e os servidores estão pedindo R$ 280 milhões. Isso é impossível", declarou o prefeito.

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