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Rio Grande do Sul é o quarto em incidência de raios

Estado passou a integrar o sistema de monitoramento do Inpe

Sensores serão capazes de detectar descargas em até 600 quilômetros
Sensores serão capazes de detectar descargas em até 600 quilômetros Foto : Laureano Bittencourt / Divulgação / CP Memória
O Rio Grande do Sul é o quarto estado com maior incidência de raios no país, segundo levantamento do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na pesquisa, o Estado perde apenas para Mato Grosso, Pará e Amazonas, que ocupa a 1ª posição. Porém, se for analisada a densidade, o Estado passa a ser o primeiro no país, com 18 raios por quilômetro quadrado.

Em âmbito mundial, o Brasil lidera o ranking com 60 milhões de descargas atmosféricas por ano. De acordo com o pesquisador-coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, uma das explicações para o elevado índice de raios em uma determinada área está relacionada ao clima, pois, segundo ele, em regiões tropicais acontecem mais tempestades e, consequentemente, mais descargas atmosféricas. Em vista disso, a justificativa para que o Brasil ocupe a primeira colocação se deve por ele ser o maior país da região tropical do planeta.

No caso do Rio Grande do Sul, o motivo é por estar próximo do Paraguai e da região Norte da Argentina, onde ocorrem tempestades muito intensas que frequentemente adentram o Estado. Uma prova disso foi a presença de nuvens bastante carregadas em vários municípios do Estado na última semana.

Conforme a MetSul Meteorologia, a incidência é maior em municípios da região Noroeste, como Santa Rosa, Três de Maio e Horizontina. Em regiões do Extremo Sul, como Santa Vitória do Palmar e Ijuí, a ocorrência é bem menor. Quanto aos casos de morte por raio, informou que acontecem em ambientes urbanos, mas com menos frequência, ao contrário de zonas rurais, onde as pessoas que trabalham no campo têm mais risco de serem atingidas pelas descargas elétricas. No estudo do Elat, entre 2000 e 2011, foram registradas no país quase 1,5 mil mortes causadas por raios. Manaus é a cidade recordista, com 16 óbitos registrados a partir de 2000. Entre os estados, São Paulo é o campeão, com 230 mortes em pouco mais de dez anos.

As tempestades, ocorridas com frequência nos últimos dias no Estado, e que acarretaram uma morte no dia 15, em Tupanciretã, trazem inúmeros prejuízos à população, como a falta de luz. Conforme o engenheiro da diretoria de distribuição da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Ricardo Munhoz, entre janeiro e agosto deste ano, os raios foram a causa de 3,4% das interrupções.

Desde a última quarta-feira, o Rio Grande do Sul integra o sistema de monitoramento de raios. O Inpe lançou a nova modalidade de controle que deve cobrir todo o território gaúcho. Conforme o Inpe, o Estado tem sofrido, como consequência das descargas elétricas, prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão nos setores industrial, elétrico, de agricultura e telecomunicações.

Foram instalados dez sensores capazes de detectar descargas em até 600 quilômetros. Os equipamentos foram instalados nas cidades de Casca, Rio Grande, Santa Maria, Santa Rosa, Uruguaiana e Viamão.

Os dados serão enviados em tempo real para a central do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais localizada em São José dos Campos (SP). Dados do Inpe indicam que somente no Rio Grande do Sul, nos últimos dez anos, ocorreram 106 mortes decorrentes do fenômeno.


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