Uma portaria do Ministério da Saúde publicada no dia 10 de julho prevê a destinação de R$ 348 milhões, divididos entre 55 municípios gaúchos - região Metropolitana e Litoral Norte -, com esta finalidade. O repasse integra o Plano de Ação da Rede de Atenção às Urgências do Estado. Em uma segunda etapa, o projeto vai beneficiar municípios da fronteira. “Foram definidas fundamentalmente as regiões que têm rotas de acesso do Mercosul e de Santa Catarina, com vistas à Copa do Mundo”, explica o coordenador da Câmara Temática de Saúde no Comitê Gestor da Copa, Eduardo Elsade.
A expectativa é de que o Rio Grande do Sul possa receber até meio milhão de visitantes durante o período. “Isso vai depender muito das seleções que jogarem aqui e da importância dos jogos. Se houver uma oitava de final com Argentina ou Uruguai, provavelmente teremos uma avalanche de hermanos”, observa o coordenador. A Capital será sede de cinco jogos, sendo quatro deles pela primeira fase e um pelas oitavas.
A preparação feita pelo governo do Estado leva em conta as estatísticas de medicina da viagem, que apontam que 10% dos viajantes necessitam de atendimento médico dentro de um período de 30 dias. Destes, 20% precisam ser internados em algum hospital. Conforme Elsade, além de visitantes do Mercosul, o Rio Grande do Sul deverá receber também turistas de outros estados brasileiros durante a competição esportiva.
O governo estadual defende que não se trata de um investimento exclusivo para o período da Copa. “Necessita-se de uma adequação na rede hospitalar do Estado fundamentalmente para atender a própria população. Em decorrência disso, vai se estar preparando também para atender os turistas”, afirma o coordenador da Câmara Temática. Hoje o Rio Grande do Sul possui 30 mil leitos em 370 hospitais, sendo 70% deles pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Entre leitos públicos e privados da região Metropolitana e de fronteira, temos uma estimativa de que teremos 2 mil leitos hospitalares a mais do que tínhamos no ano passado”, calcula Elsade. Seriam 1.530 leitos públicos e filantrópicos e 470 em hospitais privados. Os recursos que já começaram a ser repassados, por meio da portaria 1.479 do Ministério da Saúde, serão pagos em 12 parcelas retroativas a maio deste ano.
Simers critica prioridade à Copa
O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, acredita que o plano apresenta uma distorção em relação às necessidades do Estado, mas acredita no legado da Copa para a área da saúde. O médico também afirma ter dúvidas quanto à execução das melhorias no tempo determinado (dois anos).
“É ótimo que os governos se dediquem e se preocupem com a saúde dos turistas estrangeiros. Isso abre a oportunidade para que sobre alguma coisa para a população”, observou. De acordo com ele, a necessidade atual é de dobrar o número de leitos, em especial na rede pública. “Se houvesse um planejamento focado nas necessidades da população gaúcha, certamente a distribuição seria completamente diferente. De qualquer forma, é melhor isso do que nada”, ressaltou.
Para o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Paulo Humberto Gomes da Silva, a grande deficiência de leitos hospitalares justifica o investimento no setor. De acordo com ele, a região da fronteira está entre as que possuem o maior déficit. “O meu medo é que se disponibilizem recursos para a Copa do Mundo e depois se retire isso de novo e voltemos a ter os velhos problemas de sempre”, disse. “Se for uma coisa passageira, temos de avaliar com mais cuidado”, destacou.