Apesar de a chuva ter cessado, bairros de Gravataí ainda estão embaixo d'água. O Caça e Pesca é o mais afetado e as ruas seguem intransitáveis. Barcos são o meio de transporte na região ribeirinha. O rio Gravataí havia iniciado uma gradativa baixa, mas estabilizou em 6,14 metros. O normal é 2,68 metros. A aposentada Maria Lúcia Alves Moreira, 64 anos, se mudou temporariamente para a casa da filha. Da cerca, ela observava o imóvel que deixou quando a água batia no meio da perna. Como a enchente persistia, não podia voltar, assim como os vizinhos. “Em alguns locais, a água chegou quase no teto”, contou, lembrando que conseguiu salvar alguns eletrodomésticos e móveis.
O escritor e reciclador Catarino Brum, 65 anos, vendeu a casa onde morava para fugir das enchentes. Alugou uma que não ficava tão próximo ao rio, mas não conseguiu escapar. A residência foi invadida. “Estou trabalhando só para pagar o aluguel e nem assim consegui ficar sem alagamentos”, reclamou. Ele e outros moradores responsabilizam o desenvolvimento da construção civil pelo aumento dos casos de inundação. Segundo o aposentado Antemo Barros, 57, há alguns anos a situação não era tão grave.
O terreno onde vive a dona de casa Elizabete Silva de Andrades, 51 anos, seguia dentro d'água. Ela e o marido Jorge Antônio Silva Andrades, 52, ficaram abrigados com uma vizinha, mas retornaram para o imóvel no domingo.
O bairro Vila Rica e o Parque dos Anjos ainda tinham pontos de alagamento também. A prefeitura de Gravataí informou que 180 pessoas seguiam abrigadas, além dos que estavam desalojados e foram para a casa de parentes ou amigos.
Rio Gravataí ainda está 3,46 metros acima do normal
Chuva cessa, mas bairros de Gravataí ainda estão alagados