Já na zona Leste, as famílias que residem nos bairros Jardim do Cedo, Itatiaia, Padre Réus e Parque dos Anjos (Loteamento Jardim das Palmeiras), às margens do Arroio Demétrio, começam a voltar para casa. Pelo menos 950 imóveis ficaram alagados, deixando dezenas de desalojados. De acordo com o sargento, em quatro dias choveu 273 milímetros - volume corresponde à média de dois meses. O sargento ressalta que a maioria dos atingidos pelas cheias do Demétrio foram acolhidos por familiares e amigos. Lembra que no Jardim das Palmeiras, próximo às pontes do Demétrio, no acesso ao Parque dos Anjos, a rua Amapá foi tomada pelas águas e até em um conjunto residencial, formado por quatro edifícios, moradores foram resgatados. Desses, 410 foram removidos em embarcação da Patrulha Ambiental colaborou na remoção de 410 pessoas por barco.
Conforme a Defesa Civil, mesmo que a chuva dê uma trégua, segue a preocupação, uma vez que o grande acúmulo de água ainda deixará bairros inundados e outros em estado de alerta. “A acomodação das águas ainda vai afetar as áreas mais baixas, e a atenção é necessária”, observa Lemos. A Guarda Municipal monitora as áreas e auxilia no atendimento, já que o maior número de demandas ocorre à noite. De acordo com o secretário de Assuntos para Segurança Pública (Smasp), André Brito, a Guarda está de plantão permanente, disponibilizando dois grupamentos (Ambiental e Urbano) e a Central de Operações (via rádio) para prestar os primeiros atendimentos junto à Defesa Civil e com apoio do Corpo de Bombeiros.
Famílias retidas em Eldorado do Sul e Cachoeirinha
Na manhã desta quarta-feira mais de 25 famílias foram resgatadas pela Defesa Civil em Eldorado do Sul, na região Metropolitana. Com dois botes a maquinário da prefeitura, as pessoas que tiveram suas casas alagadas conseguiram passar pelas águas para se abrigar com parentes, ou alojamentos improvisados pela administração municipal.
No bairro Cidade Verde, um dos mais atingidos, uma cadeirante de 83 anos e sua filha, que é doente, de 44, precisaram de ajuda para sair da residência na rua Z. “Sempre temos esperança de que a água não suba, mas ficou perigoso para elas”, disse a neta de uma das resgatadas, Edi Malta, 54. “As pessoas têm muita resistência e deixam para a última hora. Estamos na rua desde domingo para convencê-las a sair”, disse o coordenador da Defesa Civil, Raul Ferreira. A luz foi cortada no bairro para evitar curtos circuitos.
Muitos agentes da Defesa Civil estavam com roupas de mergulho. Porém, o titular do órgão, Fábio Munhoz, teve que se afastar do trabalho por suspeita de ter contraído leptospirose. Ele atuou nos últimos dias e pode ter sido infectado pela água suja. O nível do Guaíba estava subindo cerca de dois centímetros por hora em Eldorado e atingia também o bairro Vila da Paz, onde inúmeras residências estavam inundadas.
O cinegrafista Antônio da Silva Santos, 51 anos, morador da Avenida A, contou já ter passado por 14 enchentes. “A vida da gente já é programada para alagamentos”, disse. Ele costuma tirar as dobradiças das portas e utilizá-las como suporte, em cima de cavaletes, para colocar eletrodomésticos quando a água entra na casa. Lamentando a perda dos móveis, a diarista Rosângela Sanhudo, 41 anos, olhava o resgate de vizinhos. Ela não precisou sair de bote, mas enfrentou a água pelos joelhos para chegar até uma parte seca do bairro Cidade Verde. “Em 2011, já havia perdido tudo. Agora aconteceu de novo”, reclamou.
O Rio Gravataí está 4 metros acima do nível normal, em Cachoeirinha. Pelo menos, 16 famílias da Vila Olaria foram resgatadas e levadas ao abrigo organizado pela prefeitura. Outras 26 seguiram para casas de parentes. Segundo a Defesa Civil, não há prazo de retorno das pessoas atingidas para os seus lares. O motivo é a previsão de mais chuva durante o final de semana. O secretário de Governo, André Lima, informou que todos os órgãos estão trabalhando em conjunto para atender às vítimas.