• Manifestações ocorrem em todo o Brasil
Policiais tentaram revidar com bombas de efeito moral, mas como o número de manifestantes era muito grande, o batalhão recuou. A PM admitiu que a situação está fora controle. A multidão corre com as grades que eram usadas para isolamento e batem contra as janelas do prédio. O grupo de policiais tenta manter o cerco fora do local.
Em meio à série de protestos pelo país, a presidente Dilma Rousseff avaliou que as manifestações pacíficas são próprias da democracia. A informação foi divulgada pela ministra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas.
Manifesto pacífico na Cinelândia
Enquanto isso, um contingente ainda maior de pessoas ocupa a Cinelândia em uma manifestação pacífica. Eles ocuparam as escadarias da Biblioteca Nacional e da Câmara de Vereadores. Ainda assim, alguns manifestantes provocaram os policiais com vaias e palavras de ordens, mas a tropa permaneceu no local, sem revidar aos xingamentos. Há também pessoas participando da passeata com faixas e cartazes e carregando bandeiras de partidos políticos, como o PSTU e o PSOL. Um grupo de jovens pediu que eles baixassem as bandeiras para continuar a passeata de forma pacífica e apartidária.
Mais a frente, outro grupo rasgou uma bandeira do Brasil e foi duramente criticado pelos manifestantes, que respondeu cantando o Hino Nacional. A passeata ganhou durante o percurso o apoio de muitos trabalhadores que ainda estavam em escritórios localizados na via ou esperavam o fim da manifestação para ir para casa. Eles jogaram papel picado em sinal de apoio, e os manifestantes gritavam em agradecimento."Quem apoia acende a luz", gritavam da rua, e as luzes piscavam nos escritórios. Duas grandes faixas na frente da multidão davam o tom do ato: "Não é por centavos, é por direitos" e "Somos a rede social".
Com slogans como “O Rio vai parar, se a cidade não baixar” e “Da Copa eu abro mão, eu quero mais dinheiro para a saúde e a educação”, os estudantes pedem a diminuição do preço da passagem de ônibus, que subiu recentemente de R$ 2,75 para R$ 2,95, e mais investimentos na área social.
Turistas e ironia fazem parte dos protestos
Entre os manifestantes, estão inclusive turistas estrangeiros, como a arquiteta francesa Stephanie, moradora de Paris. “É a melhor coisa que pode acontecer ao Rio. É muito importante os estudantes irem para a rua reivindicar os seus direitos. Na França é assim, e nos outros países também.”
Outros apelaram para o bom humor como forma de protesto, como Wagner Gomes Seara. “A gente cansou de ser burro, de carregar peso nas costas. Não é só por causa dos 20 centavos, é por tudo o que está acontecendo. Os grandes jogos estão afundando nossa cidade e destruindo a nossa saúde”
A educadora Angela Barban Moreli, também questionou a política de se privilegiar obras para os grandes eventos. “É importantíssimo que as pessoas saiam às ruas, se manifestem e reivindiquem os seus direitos. A nossa cidade está sendo reformada sem que a gente tenha ciência de verdade do que está acontecendo. A população não tem noção das injustiças que estão sendo cometidas com as remoções.”
Alguns manifestantes carregando flores, como o estudante de jornalismo Jorge Alberto de Oliveira, falavam da importância da paz . “A passeata tem muito o espírito de paz. Não dá para vir com o sentimento de violência. A ideia é construir novas perspectivas.”