Com isso, muitos perdem seus pertences. De acordo com Silva, as residências ficam 1,5 metro acima do nível da rua. No entanto, com a chuva constante, a água invade as casas estragando móveis e isolando os moradores. “Meus filhos estão há duas semanas sem ir à escola porque não há como sair de casa”, reclamou.
Compartilhando da mesma dificuldade, o reciclador Ubirajara Tavares, de 35 anos, relatou que, mesmo com as cheias de setembro, nada foi feito para alterar a situação das famílias que lá residem. Conforme Tavares, ainda que a precipitação não tenha sido tão intensa, como as águas do rio ainda não haviam baixado, a situação tende a piorar. “Ainda temos água com gosto de barro e um pouco de luz. A semana começou com um aviso de que será pior do que a que passou”, disse, desolado.
De acordo com a prefeitura, as famílias do bairro que vivem na área de risco ainda neste ano serão reassentadas no Condomínio Chico Mendes, que se encontra em construção. De acordo com a Defesa Civil do município, embora exista perigo às famílias, em razão do medo de furtos às residências muitos moradores não querem sair das casas.
Moradores de Alvorada se preparam para cheia de arroio
O retorno das chuva causou apreensão nos moradores da vila Americana, que vivem junto ao Arroio Feijó, na divida entre Porto Alegre e Alvorada. Precavidos com a lembrança e contabilizando os prejuízos causados pelo avanço das águas sobre as casas nas últimas semanas, eles já começaram a colocar os móveis para a parte mais alta das casas.
“Por enquanto, o nível do arroio está baixo, mas se continuar garoando já sabemos o que ocorrerá e quem sairá perdendo. Ficamos sem luz, perdemos muitas mercadorias e ninguém nos ajudou”, relatou o comerciante Émerson Oliveira, de 28 anos, ao destacar que no último temporal foi preciso que o Departamento de Esgoto Pluvial (DEP) utilizasse uma bomba para retirar água de terrenos mais alagados.
Proprietário de um minimercado, Oliveira conta que há poucos dias era praticamente impossível entrar na avenida Beira Rio, onde ele reside. Muitos moradores, segundo ele, caminhavam com água na altura do joelho e corriam o risco de serem eletrocutados, em razão de possível curto circuito. “Quem mora aqui fica de olho nas águas do Feijó. É uma tensão constante, o lodo se acumula e o rio sobe e faz um grande estrago”, explicou.
Também ansiosa para que o tempo melhore, a comerciante Giovana Simões, de 32 anos, relembra os percalços que a chuva causou no mês passado. Segundo ela, em determinadas ruas do bairro os carros não conseguiam passar, porque estavam submersas. “Pagamos impostos, temos ruas asfaltadas, mas que não dão conta de vazão da água. No final, saímos em duplo prejuízos”, frisou, enquanto observava o barro acumulado na via.