Uma câmera instalada junto ao paciente transmite imagens de alta definição para um console, onde o cirurgião controla todos os movimentos do robô. Graças a esse sistema, é possível controlar pinças de até um centímetro, com movimentos que seriam impossíveis para a mão humana e a olho nu. “Um movimento de quatro a cinco centímetros aqui fora vira um movimento de um centímetro dentro do paciente”, explica o cirurgião Leandro Totti, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica. A grande vantagem proporcionada pelo robô é a precisão. “Ele nos possibilita uma visão tridimensional, que antes era só bidimensional, e uma imagem aumentada em dez a 14 vezes”, acrescenta Totti.
Embora leve o nome de um gênio, o robô Da Vinci não funciona sozinho. O sistema somente opera com o trabalho de um cirurgião e um auxiliar, além da equipe de enfermagem. “Os braços robóticos não têm nenhuma atitude sozinha. Eles simplesmente repetem os movimentos que o cirurgião faz”, observa Totti. Tanto que, caso o médico retire o rosto do visor, por onde enxerga as imagens do paciente, o sistema tranca automaticamente - o que diminui as chances de ocorrerem movimentos bruscos. “Não existem relatos de o robô movimentar-se sozinho e gerar algum dano”, completa o cirurgião.
Três cirurgias já foram realizadas pelo novo equipamento – a primeira delas no dia 9 de agosto, em um homem com câncer de próstata. De acordo com o chefe do serviço de urologia do hospital, Brasil Silva Neto, cirurgias laparoscópicas na pelve humana exigem destreza cirúrgica para efetuar procedimentos feitos por via aberta. “O sistema robótico na urologia permite que esses movimentos, que são os mais complexos, sejam feitos por via laparoscópica, mas reproduzindo de uma maneira até melhor o movimento da mão humana”, detalha. Entre os benefícios para o paciente estão menor sangramento e alta hospitalar mais rápida. Conforme Silva Neto, um paciente que operou a próstata consegue voltar para casa em três ou quatro dias. Nos Estados Unidos, com o uso da cirurgia robótica, esse período é de apenas um dia.
Após um período de seis meses, novas modalidades de cirurgia serão executadas por meio do robô Da Vinci, como a digestiva, torácica e cardíaca. É a primeira vez que o equipamento é utilizado fora do eixo Rio-São Paulo. A inauguração oficial do Programa de Cirurgia Robótica do HCPA ocorre nesta sexta-feira, às 8h30min. Na ocasião, o cirurgião Monish Amon, professor da University of Southern California, irá executar uma cirurgia.
Chamado de Da Vinci, equipamento consegue controlar pinças de até um centímetro | Crédito: Paulo Nunes