O delegado sindical da Carris e conselheiro do Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), Alceu Weber, ressaltou, em entrevista nesta terça-feira, que os rodoviários não são os culpados pelo reajuste da passagem em Porto Alegre. “Nos últimos 20 anos, as tarifas acumularam reajuste superior a 581% e os salários, em igual período, foram reajustados em 342%", enfatizou, sobre o comunicado de que as empresas não poderão cumprir o dissídio, por conta de liminar que impede a alta. “O rodoviário é que não pagará esta conta”, reforçou Weber.
O dirigente ainda argumentou que os empresários estão empenhados em tentar dar legitimidade a uma possível paralisação do sistema. “Buscam, com a medida, esquentar uma greve incentivada pelas empresas”, destacou.
Weber convocou os rodoviários a seguirem trabalhando normalmente, uma vez que o reajuste salarial está garantido na forma da lei. “O artigo 7º da Constituição prevê como crime a retenção dolosa, bem como a redutibilidade de salário, cujo reajuste já está homologado no Ministério do Trabalho e Emprego”. Segundo ele, o reajuste foi concedido no início de fevereiro, antes mesmo do aumento na tarifa em Porto Alegre.
O Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) ingressou com uma petição junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região informando que não poderá cumprir com o dissídio dos rodoviários. A Seopa anunciou que fará uma reunião com o Sindicato dos Rodoviários na manhã desta quarta-feira para tratar do assunto.
"Rodoviário não pagará esta conta", garante sindicato
Para dirigente, empresários estão estimulando uma greve