O grupo “Rodoviários na Luta”, que inscreverá chapa para concorrer à presidência do sindicato dos rodoviários nas eleições de novembro, apresentou nesta terça-feira uma série de denúncias contra os empresários do transporte coletivo da Capital. Eles atribuem a demissão de três trabalhadores nas últimas semanas - duas delas já revertidas - a uma tentativa de desmantelar o grupo que faz oposição ao atual comando sindical e liderou a comissão de greve durante a paralisação dos ônibus no início deste ano.
Um dos rodoviários que teve a demissão por justa causa revertida na segunda-feira pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-4), Adailson Rodrigues, afirma que há temor de que o grupo assuma o sindicato. “Os patrões não gostariam de administrar o transporte público com um sindicato de trabalhadores que não seja pelego deles”, acusou. Rodrigues trabalha na Trevo há onze anos e agora aguarda a reintegração ao emprego.
O candidato à presidência, Alceu Weber, também chegou a ser demitido por justa causa da Carris, pela apresentação de suposto atestado médico falso. A demissão foi revertida e ele encontra-se suspenso da atividade até o final do mês. “Os patrões escolheram atacar ao invés de recuar”, analisou. Weber acredita que entre as quatro chapas que concorrerão ao sindicato, a sua é a que mais chance tem de vitória. A inscrição dos concorrentes inicia no dia 23.
Segundo o grupo, as demissões tem cunho político - para impedir que o grupo concorra na eleição - e também visam retardar a licitação do transporte coletivo da cidade. O edital deve ser lançado pela prefeitura até, no máximo, a próxima semana. “Essa licitação é direcionada, e eles querem criar o caos para atrasar, mas não vão conseguir”, apontou Weber.
Desde a final da greve entre janeiro e fevereiro desse ano, que durou 12 dias, pelo menos 60 trabalhadores rodoviários foram demitidos por justa causa. “Desde meados de 2013 é só assim, justa causa. Virou moda e é uma tentativa de pulvorização do movimento”, afirmou. Segundo ele, a Carris - única empresa pública a atuar no sistema - deu a tônica do movimento de demissões. As demais 12 empresas privadas seguiram o embalo como forma de assustar os trabalhadores que se levantam contra o modelo.