O sindicato dos empresários sinalizou positivamente quanto à sugestão, apesar de que a maioria das empresas já descontou, em parcelas desde março, os dias parados. Nessa sexta-feira, no entanto, a comissão de greve dos rodoviários, ativa durante a paralisação, cobrou uma proposta melhor. "Se for para julgar que a greve foi ilegal, então que a culpa não seja apenas do trabalhador", criticou Alceu Weber, líder da comissão.
Internamente, entre alguns rodoviários, a imagem de Weber ficou manchada após a efetivação da dedução salarial. Eles o culpam por ter liderado a paralisação, prometendo que não haveria ônus aos trabalhadores. Alguns chegaram a apelidar o abatimento no contracheque de "desconto Weber". 'As pessoas que têm um pouco de discernimento sabem que as decisões foram tomadas em assembleia, não apenas por mim", defende-se.
Weber cobrou ainda que a cúpula do sindicato da categoria - do qual é rival - convoque uma nova assembleia essa semana. Júlio Gamaliel, presidente do sindicato dos rodoviários, afirma que a categoria está magoada com os patrões, que autorizaram os descontos sem esperar pela mediação judicial. "Existe a possibilidade de paralisar conforme o que for decidido no julgamento. Para qualquer decisão que for desfavorável ao trabalhador, faremos uma assembleia para decidir nossa ação", ameaça.
A paralisação durante a Copa do Mundo na Capital, se for concretizada, copiaria a ação dos rodoviários de São Paulo. Os ônibus saíram das garagens pela manhã, mas seriam abandonados nas vias ao longo do dia. "Seria uma greve como a de São Paulo. Na verdade, são eles que estão nos copiando, pois o nosso dissídio coletivo é o primeiro da categoria nacionalmente", disse Gamaliel. A data-base dos rodoviários da Capital é 1 de fevereiro. "Nós não estávamos a fim de fazer desordem nenhuma na cidade durante a Copa, mas poderá, sim, haver uma paralisação."