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Rodoviários denunciam possível greve combinada entre empresas e sindicato

Paralisação estaria marcada para esta terça e serviria para cobrar reajuste da tarifa

Rodoviários denunciam possível greve combinada entre empresas e sindicato
Rodoviários denunciam possível greve combinada entre empresas e sindicato Foto : Samuel Maciel / CP Memória
Trabalhadores que são contrários à atual gestão do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre denunciam nesta segunda-feira uma possível articulação de greve, acordada entre a entidade e as empresas de ônibus. A paralisação estaria marcada para ocorrer a partir desta terça. 

Por conta da suspensão do reajuste da tarifa, ocorrida há 20 dias, os consórcios já confirmaram que o depósito do adiantamento salarial dos funcionários, não vai incluir os 11,8% de aumento previstos no dissídio da categoria. Uma eventual greve serviria para que os trabalhadores cobrassem o pagamento e os empresários transferissem a cobrança à Prefeitura e à Justiça.  

O delegado sindical titular da Carris, Luis Afonso Martins, relatou que a categoria está dividida sobre a negociação, mas predomina o sentimento de não apoiar uma "greve branca". Martins alertou ainda que se os próprios empresários forem responsáveis pela paralisação, a Prefeitura teria o direito de romper os contratos e assumir o controle de todo o sistema do transporte público. “Não vamos aderir a uma greve patronal, que só teria o interesse de beneficiar as empresas junto aos órgãos judiciários. Os trabalhadores têm a consciência de que, se as empresas tomarem essa atitude, caberá à Prefeitura encampar todo o transporte", disse. 

Sindicato nega planejamento de greve 

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Adair da Silva, negou qualquer planejamento de greve e disse que a prioridade, em caso de confirmação dos salários reduzidos, será buscar o dissídio através de nova ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

"A gente não tem projeto nenhum para paralisação porque temos que esperar o fato acontecer. Estamos esperando os contracheques para a gente confirmar e tomar uma atitude. Já temos tudo pronto para o caso de redução salarial. O primeiro passo será ingressar no TRT. Depois, vamos reunir a diretoria e definir o rumo", explicou Silva. 

A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) não admitiu participar de qualquer movimentação para suspender o serviço de ônibus na Capital. Desde a última sexta-feira, no entanto, os empresários aumentaram a pressão, via novas ações judiciais, para que a Prefeitura se responsabilize pelos prejuízos enquanto o reajuste da passagem permanecer suspenso. O gerente-executivo da entidade, Luiz Mário Magalhães Sá, também citou os investimentos irreversíveis para tentar sensibilizar a população sobre a necessidade aumento — de R$ 3,25 para R$ 3,75.

Prefeitura recorre 

Em entrevista à Rádio Guaíba nesse final de semana, o vice-prefeito da Capital, Sebastião Melo (PMDB), lamentou que novas medidas judiciais por parte da ATP possam prolongar o impasse e garantiu que a Prefeitura vai recorrer novamente. Mesmo assim, a gestão municipal descarta cancelar a licitação ou assumir todo o sistema através da companhia pública Carris.