Motoristas e cobradores de ônibus de Porto Alegre têm, nesta terça-feira, a primeira assembleia da categoria para encaminhar as reivindicações salariais de 2016. A data base do dissídio é o dia 1º de fevereiro. O pedido inicial, que deve ser levado a discussão pela diretoria do Sindicato dos Rodoviários da Capital, é de reajuste salarial de 15% a 16%. A remuneração dos condutores subiria, assim, dos atuais R$ 2.168 para cerca de R$ 2,5 mil, enquanto cobradores aumentariam os salários de R$ 1.306 para em torno de R$ 1,5 mil.
O presidente da entidade, Adair da Silva, admite que a crise econômica pode reduzir a expectativa, mas espera ser possível negociar algum ganho real além da inflação de cerca de 10%. O sindicalista ressalta que o objetivo é evitar conflitos ou paralisações, como ocorrido no início de 2014 na Capital. “A gente sempre quer o ganho real, além da inflação. Foi o que aconteceu no ano passado e espero que aconteça neste ano novamente. O que a gente não quer é que entre em conflito de novo, como em 2014, quando a gente não teve avanço salarial”, ponderou.
Já o delegado sindical da Carris Luis Afonso Martins, um dos líderes da mobilização de 2014, antecipa que parte da categoria vai cobrar aumento maior, em torno de 20%, para compensar perdas salariais de anos anteriores. Outra reivindicação deve ser a inclusão de um adicional de risco de vida para os trabalhadores, devido às denúncias crescentes de aumento da insegurança. Além disso, os rodoviários pedem redução da carga horária, das atuais 7 horas e 10 minutos, para 6 horas diárias. A reclamação principal é sobre o intervalo obrigatório durante a jornada atual, de mais de 3 horas.
No ano passado, os rodoviários iniciaram a campanha pedindo 11,5% de aumento e, após três semanas de negociações com os empresários, aceitaram reposição de 8%. A inflação no período era de 6,5%. A proposta votada na assembleia desta terça, marcada para as 19h, será encaminhada à Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) e ao Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre, que representam as empresas.
A classe patronal espera concluir o acordo o mais rápido possível para coincidir a correção dos salários com o novo cálculo da tarifa de ônibus, impactado também pelas exigências da primeira licitação do transporte público na Capital. O edital prevê que o novo sistema comece a operar até abril, mas as empresas têm como meta antecipar a renovação para, no máximo, o final de fevereiro. A revisão da tarifa só poderá ser solicitada depois do cumprimento das exigências, como ar-condicionado em, ao menos, 25% dos ônibus e inclusão de, no mínimo, mais 72 veículos à frota atual de 1.709 ônibus.
Rodoviários devem pedir 15% de reajuste em campanha salarial
Remuneração de condutores seria de R$ 2,5 mil e de cobradores de R$ 1,5 mil